BATALHÃO DE CAÇADORES 3843

quinta-feira, 28 de abril de 2022

O PRÉ!

O António Fidalgo nas suas crónicas diárias publicou hoje este texto a que eu não resisti de compartilhá-lo com a comunidade.

Disse ele:

"Hoje alguém na página da C.CAÇ.3357 entendeu por bem abordar o tema do PRÉ e descreveu na totalidade de qual a sua origem e como os militares o recebiam. Recordo que quase se tornava vexatório toda aquela forma de proceder. 



Assim deixo por baixo a foto do 1º pré que o Estado Português me pagou no S.M.O. na minha recruta nas Caldas da Rainha. Onde tirei a recruta no curso de Sargentos Milicianos. Hoje em dia ouvem-se vozes de novo a gritar pelo Serviço Militar Obrigatório.  

Eu sou contra o dito serviço igual ao do passado, porque as famílias eram obrigadas a sustentar as despesas, que o militar tinha, para servir o Exército Português, é exigido ao militar a higiene pessoal nos primeiros meses diariamente barba, cabelo cortado e botas engraxadas, isto tudo há conta do próprio. 

O rancho geral era mau, quase em todas as unidades, por isso sentíamos necessidade de comer algumas refeições fora das instalações militares. Logo mais uma vez os nossos Familiares a contribuir. Como tal S.M.O. sim, mas assumam as despesas dos militares. 

Eu por sinal fui apoiado pelos meus Pais, para o efeito, Atenção havia muito jovem órfão de Pai e Mãe.  O meu filho fez parte do último turno do S.M.O. mais uma vez fui chamado a sustentar, a brilhante ideia de tal serviço.. 

Ainda hoje, pergunto porque razão o Estado Português tem uma adoração especial por esta família, FIDALGO pois desde a 1ª Guerra Mundial Avô, o meu Pai, Eu até ao meu Filho todos fomos fazer o S.M.O. certamente no passado tínhamos uma grande dívida para com a PÁTRIA Portuguesa, espero já a termos saldado. 

Aqui está o ridículo PRÉ eu não era praça rasa."

sábado, 9 de abril de 2022

28º ENCONTRO DO BCAÇ 3843

28º ENCONTRO DO BCAÇ 3843 - VISEU

O 28º Encontro do BATALHÃO DE CAÇADORES 3843, já se realizou conforme previsto no dia 28 de Maio.
Estas são algumas das fotos do evento para quem não compareceu no 28º Encontro. Uma logística preparada ao pormenor para que não faltasse nada aos meus amigos, camaradas e respectivas famílias.

Abraço a todos.

































terça-feira, 8 de março de 2022

AS ENFERMEIRAS PARAQUEDISTAS - DIA DA MULHER

A propósito do DIA DA MULHER, trago hoje um pequeno excerto de uma publicação sobre as seis Marias paraquedistas.

"AS ENFERMEIRA PARAQUEDISTAS"

A 6 de Junho de 1961, apresentaram-se em Tancos 11 corajosas mulheres, que tinham de ser solteiras ou viúvas sem filhos e com idade compreendida entre os 18 e os 30 anos. Apenas seis alcançaram o brevê: as “Seis Marias”.


Equiparadas a militares, eram sujeitas a um rigoroso treino, exatamente igual ao dos homens, usavam uniforme e camuflado e tinham patente militar.

Como funções, estas enfermeiras tinham as de assistir feridos em locais de combate, muitas vezes debaixo de fogo, fazer evacuações dentro do território africano e entre as colónias e a metrópole de combatentes feridos ou doentes e dos seus familiares, bem como das populações locais. Trabalharam em diversos hospitais, como no Hospital Militar Central, no Hospital da Força Aérea de Lisboa, no Hospital das Forças Armadas na Ilha Terceira, nos Hospitais de Luanda, Lourenço Marques, Nampula e Guiné-Bissau e nos postos médicos das tropas paraquedistas da Força Aérea no continente e nas colónias. Participaram igualmente em evacuações em Goa e em Timor.

Entre 1961 e 1974, realizaram-se nove cursos, onde se formaram 46 enfermeiras paraquedistas, 23 delas oficiais e as restantes sargentos. A sua última missão, em 1976, consistiu na. evacuação de civis de Timor para Lisboa.

Ao longo de mais de uma década no teatro de guerra apenas há a lamentar uma morte, a de Celeste Ferreira Costa, atingida pela hélice de um helicóptero na Guiné.

Num tempo em que às mulheres era reservado o papel de “fada do lar”, elas romperam com o socialmente estabelecido e contribuíram para uma nova imagem da mulher, daí não admirar que tivessem honra de primeira página nos jornais e revistas e nos noticiários da rádio e da televisão.

Eram eles quem combatia e prestava os primeiros socorros nos teatros de operações em Angola, Moçambique e Guiné, onde as enfermeiras paraquedistas os iam depois buscar e transportar para os hospitais de retaguarda. "Levantavam bastante o moral" das tropas, garante aquele oficial paraquedista na reforma.

Os enfermeiros eram militares a quem se dava um curso de enfermagem, enquanto elas já eram enfermeiras de origem - e a confiança que inspiravam nos feridos era tanta que se criou quase uma lenda no campo de batalha: acreditava-se que quem chegasse vivo ao helicóptero "tinha uma grande probabilidade de sobreviver".


Além dos teatros de guerra africanos, algumas das primeiras enfermeiras paraquedistas participaram logo em dezembro de 1961 - e em maio de 1962 - na evacuação de civis e prisioneiros militares portugueses de Goa para Portugal.

Duas das enfermeiras, que ficaram conhecidas como as "Seis Marias", foram condecoradas a título póstumo: Maria Zulmira Pereira André e Maria Nazaré Morais Rosa de Mascarenhas e Andrade.

As outras quatro foram Maria Arminda Lopes Pereira Santos, Maria do Céu da Cruz Policarpo Vidigal, Maria Ivone Quintino dos Reis e Maria de Lourdes Rodrigues.

"Reconhecer o seu mérito é de inteira justiça", disse o tenente-coronel paraquedista Miguel Machado, diretor do site especializado Operacional, adiantando que essas enfermeiras "completavam o trabalho dos enfermeiros paraquedistas que estavam na linha da frente".

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

OS AMORES DOS SOLDADOS

OS AMORES DOS SOLDADOS

Os primeiros amores eram as mães. Depois vinham os outros, as esposas, as namoradas, as pretendentes a namoradas, as madrinhas de guerra, e os não correspondidos.

Todos ausentes.

Nós, só tínhamos vinte anos, e muitos, mas mesmo muitos amores para serem vividos. A merda era a guerra.

Estávamos metidos nela até ao pescoço. Trocaríamos o que tínhamos, por meia hora de carinho. Um abraço, em beijo, uma carícia. O outro lado da guerra, a guerra dos sentimentos, a guerra das ausências. Meses, sem ver uma mulher, sem ouvir uma voz feminina. Imaginávamos, sonhávamos, revivíamos.

Pagamos o amor, cronometrado. Fantasiávamos. O sexo e a guerra, o grande tabú de todas as guerras. É melhor não falar. Ignorar, como se a tropa fosse uma cambada de eunucos. Eles sabiam que só tínhamos vinte anos.

- Tenho saudades de me deitar com a minha mulher. Enrolar as minhas pernas nas dela, tocar-lhe.

- Hoje é a festa da aldeia, se lá estivesse dançava a noite toda com a minha namorada.

- Quando formos para uma cidade, arranjo uma gaja. Branca ou negra, pouco importa.

- Tenho medo de apanhar alguma doença.

- Não se esqueçam da palestra do Capitão, não se esqueçam do que ele disse. " Utilizem a mão direita do prazer e não se metam em encrencas."

Lembro-me de todas estas conversas. Um ano depois estou em França, estou em Paris. Parece que se passaram muitos anos. Estou no pós Maio 1968, estou numa cidade, onde se grita, a plenos pulmões - " É proibido... proibir."

O que vivemos, vivemos. Os que voltaram, voltaram. Eu, não me esqueço. Seria muito fácil dizer....o que passou...passou.

Nunca o farei, continuarei a dizer que nos roubaram dois anos, que nos roubaram os nossos amores, o das mães, das nossas mulheres, das namoradas, das pretendentes a namoradas, das madrinhas de guerra, e os não correspondidos.

Apontamentos - Moçambique. 1968
Paris - 17 de Setembro de 1970.
SOLDADO CONDUTOR 044483/667 - MOÇAMBIQUE - 1967 / 1969.

O CANHANGULO

"O CANHANGULO"

Em 1971-1972 estávamos em Chipera, conjuntamente com a companhia de Caçadores 2758 e nessa altura muitas operações se efectuaram, algumas de elevado risco para os nossos valorosos homens que com enorme esforço mantinham a segurança próxima em redor do aquartelamento de Chipera.

Por essa altura já tínhamos sofrido alguns ataques ao conjunto militar, prontamente repelidos pelas nossas forças e já aqui relatados. Estas fotos obtidas por alguém retratam esse dia da operação.

Certo dia, após a notícia de avistamento de elemento terrorista no mato, começou a desenhar-se uma operação de captura desse elemento da Frelimo, que prontamente foi cercado no mato pela nossa tropa.

Acossado pelos militares o elemento inimigo refugiou-se numa palhota improvisada em pleno mato.

A companhia de operacionais que nessa altura estava em missão era a CCAÇ 2758 e o grupo de combate era constituído por elementos dessa companhia. Não tenho a certeza de quem comandava o grupo de combate se o furriel Afonso Gil ou outro camarada.

Nessa operação de captura onde também esteve envolvido o nosso 2º Comandante o Major Emidio Vicente , que armado da sua metralhadora Israelita, de estimação, prontamente saltou do helicóptero para o terreno da acção, na expectativa de se abeirar do elemento inimigo.



Estava o grupo em aproximação do local onde o dito elemento inimigo se situava, quando foram surpreendidos por um disparo efectuado pelo “turra”. Certamente na expectativa de fazer uma ou mais mortes disparou o seu “canhangulo” carregado de pedras e pedaços de metal, na direcção do soldado mais próximo, que neste caso era o Major Vicente, que de imediato se sentiu atingido na cabeça por um dos pedaços de pedra disparado pela arma do inimigo. De imediato o seu rosto ficou coberto de sangue e prontamente foi socorrido pelos nossos elementos que estavam no terreno. O inimigo foi capturado e levado para interrogatório em Tete.

De imediato o Major Vicente é helitransportado para o hospital de Tete onde foi intervencionado ao ferimento que tinha na cabeça.

Neste entretanto alguns objectos pessoais do Major Vicente ficaram no cenário de guerra. A máquina fotográfica Canon, a metralhadora Israelita, o quico que saltou da sua cabeça logo a seguir ao disparo.

Neste entretanto passaram-se muitos anos e seria interessante reaver alguns desses pertences ou pelo menos saber o que lhes teria acontecido.

Como disse no início julgo que o grupo de intervenção era comandado pelo Furriel Afonso Gil, não tenho a certeza) mas certamente que seria interessante saber o que teria acontecido aos seus pertences, se alguém ainda se recordar disso.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

CHIRINGA NO MAPA

Agora sim! Já posso dizer que fui a CHIRINGA!!!

Depois destes anos todos pude finalmente colocar Chiringa no mapa.

A preciosa ajuda de Jose Morgado Nascimento Almeida, na identificação da picada foi fundamental para que Chipera e Chiringa se ligassem finalmente.

Espero ser do vosso agrado esta simples imagem.

Abraço a todos.



MAIS E MELHOR

Neste mapa está bem representado o dispositivo do BCAÇ 3843.

Aqui está como as COMPANHIAS ficaram distribuídas em teatro de GUERRA no Distrito de TETE. 
Verificamos que ficaram na margem Norte do Rio Zambeze a C,CAÇ. 3356 em Cantina de Oliveira, a C.C.S. na CHIPERA a C.CAÇ.3357 na CHIRINGA e a C.CAÇ. 3355 na ESTIMA.


Aqui a C.CAÇ. 3357 chegou a 19 de Maio de 1971 e permaneceu neste Aquartelamento da CHIRINGA até ao início de Dezembro de 1972.
A nossa comissão ficou aqui manchada com a Morte de um Furriel Miliciano e um Soldado Africano. Por conseguinte 2 MORTOS, 3 Feridos Graves, com amputação de pernas, por acidentes de MINAS e 2 Feridos Com Gravidade no ataque ao Aquartelamento. A C. CAÇ. 3357 deu nesta zona jovens COMBATENTES á morte, pedaços dos seus corpos ficaram por aqui espalhados, deixaram Sangue, imenso Suor e lágrimas. Sempre acompanhados de imensos sacrifícios de toda a ordem e natureza.
De seguida partimos para a Zambézia chegámos ao fim da Comissão sem mais nada de grave a lamentar a mesma terminou com o desembarque de avião em LISBOA a 16 de Maio de 1973.
Por aquilo que comentei o que é que a minha Geração teria de ofertar mais á PÁTRIA?
Para que os nossos Governantes do passado e do presente nos tomassem a sério. Por vezes dão ideia que os COMBATENTES DO ULTRAMAR PORTUGUÊS só existem para os aborrecer.
Saibam V. Exs. Senhores Governantes, que têm á vossa Frente HOMENS que serviram exemplarmente a PÁTRIA, ao fazê-lo serviram PORTUGAL, com todo o tipo de sacrifícios e generosidade NUNCA SE SERVIRAM DA PÁTRIA em proveito próprio! Ao contrário, dos últimos tempos, temos conhecimento, onde muitos Governantes, em nome do POVO E DE PORTUGAL.
Se têm servido de tudo e de todos em benefício próprio.
OS COMBATENTES DO ULTRAMAR PORTUGUÊS SÃO DIGNOS DE ADMIRAÇÃO E RESPEITO por todas VOSSAS EXCELÊNCIAS.
Resta-nos contar aos nossos Filhos e Netos, o que foi ser ignorados, por sucessivos Governos do nosso querido PORTUGAL.
Queiram os Senhores ou não, estas gerações, irão sempre constar, das páginas da HISTÓRIA DE PORTUGAL.
O lema do BCAÇ 3843 foi e sempre será, MAIS E MELHOR.

sábado, 10 de julho de 2021

O CANTINEIRO

Nos primeiros dias de viagem no NIASSA fui abordado pelo nosso Capitão Raimundo afim de falar comigo sobre a organização da Cantina e apresentou-me um condutor o Grande Amigo MOURISCO.

Que saudades tenho deste Bom Homem que eu não conhecia mas por imperativo do nosso Capitão tive que falar todos os dias durante a Comissão pois ele com a Especialidade de condutor foi para cantineiro ficou o Furriel Fernandes sem um bom elemento.

Toda a Companhia carinhosamente o tratavam por CANTINEIRO porém outros aproveitavam muito uma frase dita por ELE quando algo não corria bem.

"AI QUE COISA MEU DEUS VÓS NÃO ENTENDEIS" e então por vezes chamavam-lhe o COISA o soldado Português em regra geral é bom observador e oportuno como é tira logo partido das coisas. Eu tentei não ficar com a responsabilidade da cantina, pois tratava-se de algo relacionado com dinheiro e não queria ter nada que ver com essas situações, mas o nosso Capitão disse-me nós todos temos que contribuir na medida do possível para que a comissão corra bem. Pois alguém me tinha alertado que noutras comissões os graduados, que tinham tido essas funções quase todos tinham tido problemas.
Chegado á CHIRINGA, meio contrariado lá tomei conta das contas da Cantina. tinha de entregar todos os dias o dinheiro realizado ao nosso 1º Gonçalves Este foi o próprio Padrinho dele quando algo não estava bem ameaçava eu dou-te uma ripada logo deixou de ser o 1º Sargento Gonçalves e foi promovido a 1º RIPAS. Ao fim de cada mês tinha de fazer o inventário e os mapas mensais estes por sua vez batidos á máquina pelo nosso escriturário Rui Fernando Pimpão Pinto este Amigo para além do trabalho dele ainda levava todos os meses com os mapas mensais, que eram grandes.
Por vezes faltava nas contas três escudos sobre os lucros o nosso Capitão Gritava comigo tenho que lhe dar uma porrada Eu para com os meus botões e que mau génio que o HOMEM tem por três escudos no mês seguinte sobejava cinco escudos sobre os lucros verificados ninguém gritava comigo olha que á dinheiro a mais levas uma porrada vais para o mato Tu e o Cantineiro. Porque o mato naquelas paragens era a BORRACHA dos incompetentes.
No fim dos meses tinha mapas a fazer das TRMS. e do CEN.CRI, felizmente tive excelentes auxiliares nas pessoas de 1ºs Cabos Francisco de Jesus Marcelino e Eurico Palma. A todos agradeço o auxílio prestado. Á uns anos idos fui a Castelo Branco com o meu Amigo Floriano Fernandes Para visitarmos o nosso Capitão Raimundo ele estava muito bem disposto e feliz por receber dois Antigos Furriéis da sua C,CAÇ.3357.
Claro que tivemos de abordar temas sobre o nosso passado Eu pelo grande carinho e amizade que tinha por ele referi-me á cantina e disse-lhe ó agora ó quando o meu Capitão me queria dar uma porrada por três escudos, quando as contas não estavam certas ELE levantou a voz reagiu assim queres ver que não tinha RAZÃO, perdi uma boa oportunidade para te por nos eixos. 

Nesta data já estavam a germinar alguns GRANDES BURLÕES DA NOSSA PRAÇA. Tenho imensa Saudade do Sol. MOURISCA, Capitão RAIMUNDO 1ºSargento GONÇALVES QUE DEUS OS GUARDE fizemos parte da mesma FAMÌLIA durante aqueles longos muito longos dois anos.

António Fidalgo - Furriel Miliciano - 3357

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Guerra Colonial - Programa de Qualidade na RTP2

"Para os amigos ex-combatentes da guerra colonial ou pessoas interessados no tema, informo que na quinta-feira passada, dia 24.06.2021, a RTP2 passou um filme sobre a guerra colonial em Moçambique.

Trata da forma como os guerrilheiros da Frelimo eram recrutados, onde e como treinavam, e depois partiam para a mata a combater o nosso exército.

É a História de Camilo de Sousa, pessoa culta e bem integrada na vida social de Lourenço Marques, que abandonou o conforto da grande cidade para lutar pela independência de Moçambique.

O Camilo tinha um sonho, como o outro bem conhecido em todo o mundo imortalizado na expressão "I have a dream "

Sonho que se foi desvanecendo, quando a festa do manto diáfano da fantasia, ia dando lugar à nudez forte da verdade. (Eça de Queiroz -Reliquia) .

É uma história tão velhinha como a sé de Braga que se repete e só os mais maduros se dão conta porque a experimentaram.

Depois da festa, vem sempre a ressaca.

Toca a rebobinar a RTP2 para as 23H00 do dia 24.06.2021, porque vale a pena ver como se inicia um sonho e como ele acaba.

Antes, podem ver uma sinopse muito curta sobre o filme

Aqui: https://www.rtp.pt/programa/tv/p40886

Com os melhores cumprimentos

José Abílio Mourato

Portalegre

sábado, 29 de maio de 2021

NUMA OPERAÇÃO REALIZADA NA ZONA DA CHIRINGA

Numa operação realizada na zona da CHIRINGA a nível de Companhia o nosso CAPITÃO RAIMUNDO com o pelotão dos GRINGOS tiveram uma troca de tiros com a guerrilha. Iniciaram a perseguição ao grupo que os atacou, mas não tiveram grande sucesso, porque apareceu uma linha de água com bastantes pedras no meio da linha de água e pensa-se que os guerrilheiros se afastaram utilizando as ditas passadeiras naturais.

O Comandante do grupo de guerrilha era HAMA THAI.  Muito raramente temos conhecimento de pormenores da guerrilha contado pelos mesmos.

O nosso saudoso CAPITÃO RAIMUNDO quando fomos para MABUTACUANE foi requisitado pelo Senhor Coronel Rodrigo da Silveira em virtude do CAPITÃO que estava a Comandar a PSP do SONGO CAPITÃO RIQUITO ter tido um acidente de helicóptero e ter partido uma perna.

Logo o Sr. Coronel Silveira gostava imenso do nosso CAPITÃO após este ter passado o NATAL connosco mexeu as suas influências e colocou um CAPITÃO de sua confiança no SONGO por ter ocorrido mais uma restruturação no CODCB. O Sr. Coronel Rodrigo da Silveira ficou a comandar o destacamento policial do SONGO e fez questão de ter um CAPITÃO da confiança a trabalhar com ELE.

Nós aproximamo-nos do fim da comissão, o Sr. Coronel Rodrigo da Silveira sai da ESTIMA em finais de 1973 e é substituído pelo Senhor GENERAL Duarte Silva.

O nosso capitão RAIMUNDO perante a saída do Sr. Coronel SILVEIRA manifesta vontade em sair também, porque na sua vida militar já tinha tido um pequeno problema com o SR. GENERAL Duarte Silva. então queria saír. Só que o Sr. Coronel sensibilizou o nosso CAPITÃO, este tinha casado com uma senhora que trabalhava no Hospital do SONGO e o nosso CAPITÃO RAIMUNDO acabou por ficar.

Passado meses dá-se o 25 de Abril, a Barragem já estava a encher e o nosso capitão recebe o elemento da Frelimo, que o irá substituir. Nada mais, nada menos que o Guerrilheiro HAMA THAI.

Foi o Comandante do grupo de combate, que atacou a CHIRINGA, em 28 de Dezembro de 1971.

Quando viu o nosso CAPITÃO diz-lhe:

- Tu foste o CAPITÃO da CHIRINGA julgávamos que já estavas na Metrópole.

- Sabes tu estiveste numa operação e eu estava com uma pistola, que te cheguei a apontar, mas estava muita tropa contigo e se eu disparasse também morria.

O guerrilheiro teve imensa sorte pois o nosso CAPITÃO não se lembrou de olhar para cima da árvore, porque numa operação em ANGOLA tinham abatido um guerrilheiro encima de uma árvore.

O nosso CAPITÃO contava ESTE episódio muitas vezes.

O guerrilheiro depois da independência passou a General HAMA THAI.

O nosso CAPITÃO por cá foi para a Guarda Fiscal de onde saiu reformado como MAJOR.

Quando falava comigo dizia muitas vezes que saudades tinha de ter sido CAPITÃO.

QUE DEUS O GUARDE E A TODOS COM QUEM PARTILHOU A VIDA QUE ESTÃO COM ELE.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

A MULHER PORTUGUESA

Ontem escrevi na página do BAT 3843 como a MULHER PORTUGUESA se envolveu na GUERRA. Desde o primeiro dia do cumprimento do serviço militar sempre a Mão feminina esteve no amparo dos militares. Após recebermos as fardas quando iniciamos a recruta, assim que nos deram hipótese do primeiro fim de semana, em casa, ao fim de quinze dias . Era ver comboios, autocarros, poucos veículos privados carregados de jovens militares fardados, onde a mesmas teimavam em não assentar bem nos corpos dos novos recrutas. Então ao regressarmos ao doce lar, onde fomos criados, com as condições existentes na casa de cada um, as nossas Mães ou outras MULHERES reforçaram algumas costuras, cozeram botões, lavaram a mesma farda, para que as ditas novas fardas não tivessem a goma de tecidos novos. Nas casas dos nossos Pais eramos sempre bem vindos, pois gostavam de ver os filhos agora fardados e os novos militares eram apoiados com um grande esforço financeiro pelos mesmos. ( Estou em crer que ao Cumprirmos o famoso SMO. As próprias famílias contribuíam com esforço económico imenso para que nós não passássemos fome.) . Agora dou por mim a pensar, tantas Mães terão passado mal, para que nós fossemos apaparicados nos fins de semana e apoiados financeiramente. Passados sensivelmente sete meses do início do SMO. Cai em cima das famílias uma notícia devastadora.

(ESTOU MOBILIZADO PARA MOÇAMBIQUE).

Quem tem MÃES agarram-se a nós a CHORAR pois elas melhor que ninguém sabem que uns quantos irão morrer. Isto é, tanto esforço, tanto sacrifício e agora contra minha vontade vou dar um filho para a GUERRA. Quando chegávamos a casa lá tínhamos AQUELA SENHORA JÀ COM ALGUNS CABELOS BRANCOS a nossa MÃE á espera de nós, com um sorriso franco disfarçavam imenso a tristeza que transportavam. Também alguns militares já eram casados, outros namoravam como veem a MULHER PORTUGUESA desde a primeira hora sempre nos acompanhou nunca pediu nada em troca a não ser o nosso regresso com SAÚDE.

A estas GRANDES SENHORAS não há palavras que as eleve a um pedestal maior pois tudo deram. Desinteressadamente algumas com um segundo filho a percorrer o mesmo calvário quantas houve que já não tiveram resistência física e não assistiram ao desfecho final. A essas GRANDES HEROÍNAS nunca as vi serem lembradas em festas oficiais pois ELAS são apenas as MÂES dos COMBATENTES DE GUERRA DO ULTRAMAR PORTUGUÊS. A todas as MULHERES de PORTUGAL que viveram junto a nós os dramas da GUERRA COLONIAL o meu IMENSO RESPEITO as glorifico para todo e sempre. Lembro as Madrinhas de GUERRA. Nunca irei esquecer o beijo que levei da minha Querida MÃE na Estação da CP em ESTREMOZ. O último recado. Não sejas mau para ninguém. Passada a comissão veio a LISBOA a receber o seu querido António ambos mais velhos ELA cheia de cabelos brancos e com mais rugas EU diferente do que parti. Naquele instante corri para ELA abraçei-a, beijei-a com rosto cheio de lágrimas naquele forte ABRAÇO senti que estava a ABRAÇAR todas as MÃES de PORTUGAL. 

Feliz é o Homem que teve uma protectora assim.

António Fidalgo - Furriel Miliciano - 3357

sábado, 24 de abril de 2021

SOMOS FILHOS DO MESMO PERCURSO

Somos filhos do mesmo percurso em Março de 1971, estávamos a formar Batalhão em Santa Margarida. 

Á noite quando tentávamos dormir havia entre nós um primeiro cabo Miliciano, que dava pelo nome de Silvério Horta, da C.C.S.


Este nosso Amigo adorava bater á porta do quarto do primeiro sargento Careto. Era certo e sabido que o primeiro sargento ia reagir, pois isto passava-se todas as noites. 

De seguida entrava no nosso quarto onde todos dormíamos (de olhos abertos), alguns até ressonavam. O dito primeiro sargento, falava, falava e cada vez mais alto, até que o nosso amigo Horta gritava lá do fundo: “Ó meu primeiro faz favor podia falar mais baixo que eu quero dormir, amanhã vou dar instrução tenho que descansar”. O primeiro Careto dizia:

"Ó nosso primeiro cabo Miliciano Horta, o senhor está a falar num DIAPASÃO muito alto para o meu gosto”. 

Gargalhada geral. 

Ora vejam nós na primeira comissão e o primeiro Careto já a caminho da quarta comissão, isto era o MACACO a querer enganar o MACACÃO. 

Ao Horta um Grande ABRAÇO do Fidalgo da 3357 e muita saúde para todos os teus.

António Fidalgo - Furriel Miliciano - 3357

terça-feira, 20 de abril de 2021

AMIGOS HÁ CINQUENTA ANOS

Foi no dia 21 de abril de 1971 que o velho Niassa partiu do Cais de Lisboa, levando-nos a Moçambique; bodas de ouro, não propriamente para celebrar, mas para recordar um tempo que nunca passou despercebido a cada um dos homens do BCaç. 3843. Uma amizade que amadureceu, tendo começado no RI 15 em Tomar. O já impróprio Niassa não tendo as condições dignas para transportar pessoas, foi um espaço de relações humanas a que não deixaremos de ser sensíveis.

Passado este longo tempo, hoje quero dirigir uma palavra amiga e uma saudação a todos os que fizeram parte deste contingente militar, particularmente o nosso Batalhão e a companhia de intervenção dos Madeirenses que se juntou à CCS, na Chipera, pouco tempo depois.

Embora estivesse a “residir” na CCS, na Chipera, mantive com frequência algum contacto, nas visitas que fazia, com a 3355 da Estima e a 3357 da Chiringa. Sempre recordarei muitos acontecimentos passados nestes espaços da vida militar em ambiente de prevenção. Não deixarei de lembrar o Capitão Melo da Estima, o Capitão Raimundo e o alferes Mendes da Chiringa que infelizmente já não estão meio de nós; o mesmo aconteceu já com o Capitão Rodrigues e o Tenente Silva da CCS e tantos outros que sempre terei na minha memória. Não posso também esquecer a Companhia 3356 de Cantina de Oliveira que foi connosco e o seu Capitão Jeremias que também já partiu, este de modo violento. Lembro ainda os alferes Gaspar de Leiria e Medeiros de Pombal, que também já partiram há alguns anos; e outros cujos nomes não consigo lembrar.

Quero transmitir uma palavra de amizade e de reconhecimento ao nosso Comandante Coronel António Lopes Figueiredo, pela sua proximidade, frontalidade, pedagogia militar e compreensão dialogante. O mesmo digo do Coronel Emídio Sousa Vicente, diferente certamente, mas um Militar com dignidade e frontalidade na relação com todos. Recordo ainda todos os Oficiais, Sargentos, Furriéis, Cabos e Soldados com quem tantas vezes estive e dialoguei, nas referidas Companhias, em todos os momentos difíceis e também em todos os momentos de descontração. Embora a minha missão fosse diferente era complementar. Com todos muito aprendi. A todos peço desculpa pelo que devia ter feito de melhor.

Os que já partiram, pertencentes às várias companhias, quer os que tombaram naquelas terras quer os que já faleceram depois de regressarem, que estejam em paz e que todos nós aprendamos com eles. A todos recordamos nas Eucaristias dos nossos encontros anuais.

Há cinquenta anos partimos sem saber o que nos iria acontecer… mas muitos de nós hoje continuamos a viver… recordando tantos momentos, alguns bem difíceis; queremos manifestar uma atitude de gratidão uns aos outros e todos a Deus. Fomos e viemos; mas agora a nossa luta é outra.

Hoje não quero discutir a guerra por que passámos; quero apenas pensar naquelas vidas sempre em perigo certamente, com a coragem nem sempre reconhecida, mas nunca esquecida. Momentos difíceis, alguns, mas que fizeram criar amizades, que nunca o tempo apagará. A amizade iniciada em momentos difíceis, nunca mais tem fim; ajudar-nos-á na luta da vida e no fazer caminho constante.

Lembro também alguns acontecimentos, não meramente pontuais, mas decorrentes da nossa estadia ali e que ainda hoje recordamos:

Era interessante ver aquelas filas de crianças e jovens que todos os dias, logo após as refeições, acorriam ao aquartelamento com os recipientes muito primitivos para levaram uma sopa. A sua alegria era bem clara e a nossa de alguma forma também.

A distribuição de roupas e outras ofertas que fazíamos algumas vezes ao longo do ano, junto à capela, cavada no embondeiro. Mais uma obra, não de arte, mas do trabalho de equipa. O que fizemos na escola primária, que no espaço dum ano quadruplicou o número de crianças. As várias ações com as populações, desde a preparação para a agricultura nos campos, onde os nativos podiam semear o milho, a captação de água e tantas outras ações, que só nos dignificaram.

Na parte final da nossa missão, agora na Zambézia, a camaradagem descontraída, os mergulhos na piscina e as “bazucas” que bebíamos e tantos outros momentos continuam gravados na nossa memória. Aquela terra rica do chá licungo, cuja área era sensivelmente igual à de Portugal Continental, sem ambiente de guerra, foi para todos nós uma descontração e até uma atitude lúdica. 

Tantos acontecimentos que, se fossem escritos, dariam um bom livro para nos abrir mais os horizontes da nossa vida e de muitos dos nossos amigos.

Que os nossos encontros anuais, por enquanto confinados, possam recomeçar. São sempre momentos únicos para lembrar o que passou e reforçar a amizade que continua a animar-nos.

Para todos um grande abraço com os votos de muita saúde, bastante descanso e o dinamismo de quem quer continuar a viver. 

O ex-Capelão

P.e Augusto Gomes Gonçalves