BATALHÃO DE CAÇADORES 3843

"Mais e Melhor"

terça-feira, 26 de maio de 2026

32º ENCONTRO DO BCAÇ 3843

Batalhão de Caçadores 3843

Ontem na Guerra, Hoje na Paz, Sempre Irmãos.

 "Mais do que uma unidade militar, o BCAÇ 3843 foi — e continua a ser — um laço inquebrável forjado sob o sol de Moçambique, entre 1971 e 1973".

Passaram-se décadas desde os trilhos de Chiringa, do Zumbo e da Estima, mas o eco das nossas vozes e a força da nossa camaradagem não se perderam no tempo. Este espaço nasce com a missão de ser o Memorial Vivo de todos os homens da C.CAÇ 3355, 3356, 3357 e CCS.

Aqui, preservamos as nossas crónicas, honramos os que já partiram e, acima de tudo, celebramos o privilégio de estarmos juntos em cada encontro anual. Que estas páginas sirvam de ponte entre o passado que nos moldou e o presente que nos une.






















segunda-feira, 30 de março de 2026

PÁGINAS DA GUERRA

Um poema do nosso camarada António Fidalgo, que nos deixa melancólicos e pensativos.

São (como ele diz, "páginas da guerra" que jamais serão esquecidas.

A foto é uma representação de Chiringa nos anos de 1971-1972, numa outra visão.

Fiquem bem e um abraço a todos.


Passamos pelo Ultramar

Partimos da nossa terra

Milhares vieram a tombar

São as páginas da guerra

......................a.............................

Nossa mocidade adiada

Desgostos vários sentidos

A história ficou enviesada

Adorados amigos perdidos

........................a.......................

Vivemos medos conflitos

Naquele inferno violento

Tantos esforços destruídos

A quem serviu tal sofrimento

..........................a.....................

Depois da triste aventura

Qual antro de perdição

Gerou-se nova conjuntura

Tudo em nome da Nação

..........................a.......................

Os combatentes traídos

Depois de tanta aplicação

Pelos políticos esquecidos

Em cada qual um irmão

.........................a.....................

Jovens destemidos valentes

Por cá as persistentes dores

Seremos eternos combatentes

Vivendo com nossos temores

..........................a....................

Muitos porém nos deixaram

A vida seguiu seu curso

Com eles suas dores levaram

Cada qual com seu percurso

...............................a....................

Em nós permanece um laço

Ficou um registo permanente

A todos vós um grande abraço

A guerra em cada dia presente

EM 26/03/2026 Antonio Fidalgo

domingo, 15 de março de 2026

ENCONTRO 32º DO BCAÇ 3843

 É TEMPO DE REENCONTRO!

Camaradas, está na hora de voltarmos a juntar a nossa "família" militar para celebrar a amizade e as memórias que nos unem.


QUANDO E ONDE?

DATA: 16 de MAIO de 2026

LOCAL: Boleiros – Fátima

RESTAURANTE: “O TRUÃO” (No mesmo local do ano passado)

Neste momento, podemos hoje anunciar oficialmente que o nosso 32º Encontro se vai realizar, em Boleiros - Fátima, no mesmo local do ano passado, no restaurante “O TRUÃO”.

Como sabem o restaurante “O Truão”, tem uma excelente sala no Rés do Chão, que iremos utilizar ao contrário do que aconteceu no ano passado.

NOTAS:

O estacionamento das viaturas está assegurado.

Quanto ao menu do almoço a opção, é a do serviço à mesa, 33 EUROS por pessoa, menu com um prato de peixe e outro de carne.

Os pratos são o de Bacalhau à Gomes de Sá e o de Lombo de Porco.

Antes do almoço será servido um Bufett de Boas vindas.

Pão, Manteiga, Azeitonas Temperadas, Churrasquinho, paté de Atum c/tostas, Salada de Polvo, Presunto, Rissóis, Pasteis de Bacalhau.

Para Entradas, teremos Sopa de Legumes.

Sobremesas: Mousse Chocolate ou Leite-creme ou Pudim Flan ou Maçã Assada ou Salada de Fruta

Bebidas à descrição

Água filtrada, Vinho da casa branco e tinto, Refrigerante, café e digestivo

O espaço do evento, será no rés do chão.

AS INSCRIÇÕES DEVERÃO SER ENCAMINHADAS PARA O TELEFONE DO NOSSO CAMARADA ESPÍRITO SANTO – Telef: 915 054 700

"A amizade de caserna é para a vida toda. Contamos contigo!" Abraço amigo para todos.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

ENCONTRO 31º DO BCAÇ 3843

O reencontro das figuras maiores do BATALHÃO DE CAÇADORES 3843, deu-se no dia 7 de Junho, pelas 10,30 Horas.

Um enorme agradecimento a estas 3 figuras que ao longo dos anos nos têm surpreendido pela sua persistência e amor à vida, fazendo de nós meros espectadores! 

i

Para eles um enorme abraço amigo!

A participação de cada um de vocês neste convívio, após mais de 50 anos, encheu sem dúvida os nossos corações de alegria e também de uma certa nostalgia, fortalecendo os laços que nos unem há décadas.

Foi certamente uma oportunidade única de relembrar velhas histórias, reviver muitas memórias e também de celebrar a amizade que permanece viva, mesmo após tantos anos.

A presença de cada um de vocês foi fundamental para tornar este encontro inesquecível.

Muito obrigado por terem dedicado uma parte do seu tempo e também por terem feito deste momento uma lembrança que guardaremos com carinho por toda a vida.

Um agradecimento muito especial ao JOSÉ COUCEIRO, enfermeiro da CCAÇ 3356 que fez um trabalho fantástico na pesquisa e recolha de uma grande parte dos camaradas da sua companhia. Muito obrigado pela colaboração prestada.

Também um agradecimento especial aos camaradas das companhias CCAÇ 3355, CCAÇ 3356, CCAÇ 3357 e CCS, que estiveram presentes neste 31º ENCONTRO DO BCAÇ 3843, que apesar de tudo o que a vida lhes tem reservado fizeram um esforço enorme para também estarem presentes.

Ao Capitão SANTOS da CCAÇ 3356, ao nosso segundo comandante EMÍDIO VICENTE e ao comandante ANTÓNIO FIGUEIREDO, ao JOAQUIM PERDIGÃO e muitos outros, pela vossa teimosia em fazerem a diferença.


















Se por qualquer razão esqueci de mencionar alguém, as minhas desculpas.

É com imensa gratidão e estima que aqui vos deixo um enorme abraço de agradecimento a todos! Muito, muito obrigado.

Bem hajam e até um dia destes!

sábado, 26 de abril de 2025

O TAL ABRIL POR CUMPRIR

O TAL ABRIL POR CUMPRIR

Jovens estudiosos aplicados
Pela Nação são enjeitados
O se futuro é ser emigrantes
Virando costas à sua Nação
Esta em acelerada erosão
Deixa seus filhos pedantes

A geração mais preparada
Sentem sua vida adiada
Sem futuro assegurado
Conhecem novas vivências
Ajudam com suas valências
Correm mundo complicado

Portugal importa gente
Esta do mais displicente
Não trazem nada de novo
Portugal em sofrimento
Perde seu fulgor e alento
Apenas fragilizam o povo

Temos uma Nação idosa
Esta pequena e famosa
Merecia gente honesta
Aqui é viveiro de glutões
Os mesmos tiram milhões
Gente labrega mas esperta

Futuras mães marginalizadas
Estas raro serem bem tratadas
Parem pelos cantos diversos
Imigrantes parideiras apoiadas
Com via verde escancaradas
Por cá os apoios são dispersos

A nossa Nação a definhar
Tudo por cá a descambar
Pode surgir nova revolução
O Abril ficou por cumprir
O povo começa a sentir
Tamanha e triste frustação

Políticos invertam caminho
Não destruam este cantinho
Façam política criteriosa
Não esmaguem a população
Não destruam a velha Nação
Pois a sua história é famosa

EM 26/04/2025 Antonio Fidalgo

Ontem comemorou-se mais um 25 de Abril. A vida por cá não vai bem. Poucos vivem muito bem e muitos suportam tal descalabro. Glutões do esforço alheio em crescimento. A população em geral com a sua vida de cada vez mais precária e cheia de dificuldades. Uma carga exagerada de impostos Os políticos fazem discursos inflamados como se tudo fosse bem. Era bom que fossem ao menos honestos nas suas apreciações. Um abraço do António Fidalgo.

sábado, 12 de abril de 2025

RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE

RÁDIO CLUB DE MOÇAMBIQUE

Todas as noites antes de deitar era quase obrigatório ouvir a locutora do Rádio Clube de Moçambique na sua mensagem de despedida de mais um dia.

O Sol já se tinha ido faz imenso tempo e a noite também já ia diantada.

Apreciem a Manuela Arraiano a  locutora do Rádio Clube de Moçambique, que todas as noites se despedia de nós com esta mensagem. 

Falecida em 15 de Maio de 2011 em Bruxelas, ainda nos faz recuar no tempo.

Lembram-se?

Terminava, todas as noites, a emissão do rádio clube de Moçambique com a mensagem de “Boa Noite!”

Muitos colegas do BNU em Moçambique ouviram a sua linda voz a transmitir a mensagem de "Boa Noite" com que se encerravam as emissões Rádio Clube de Moçambique.

Recordar é viver

terça-feira, 1 de abril de 2025

DE NOVO PASSEI NA ESTIMA

 DE NOVO PASSEI NA ESTIMA

Fui enviado a Nampula para tirar um pequeno curso de projetar cinema, dizia-se de FOTOCINE o mesmo implicava a aprender a rebobinar películas de cinema, bem como a colar as fitas, quando as mesmas se partiam, para além disso a fazer embrulhos, como enviar de retorno as bobinas projetadas. 

O curso tinha provas práticas após três a quatro dias, havia uma escala de serviço para os aprendizes e à noite éramos transportados às várias unidades instaladas em Nampula e projetávamos os filmes. Assim íamos conhecendo o dispositivo militar instalado naquela cidade militar. Fui dar cinema à cadeia militar, à Força Aérea, à messe de sargentos e por aí fora pois permaneci nesta cidade aproximadamente 15 dias. 

Foi marcada a viagem de avião das carreiras internas de Moçambique a DETA até à cidade de TETE, tinha uma pequena mala de viagem e três grandes volumes, uma máquina nova de projetar, um grande altifalante, e um volume de bobinas de cinema. Tive dificuldade em chegar com tal carga, até à coluna, mas chegado próximo desta os jovens de serviço à coluna ajudaram-me a instalar no carro da escolta, entre eles iam furriéis meus conhecidos, daqui parti na coluna da tarde até à Estima, chegamos já noite por volta das 19 horas. A rapaziada da Estima assim que me receberam, indagaram o que eu fazia ali? Contei de onde vinha, alguém contou ao senhor Comandante do CODCB o coronel Rodrigo da Silveira, este mandou chamar-me, nós éramos velhos amigos da onça e ordenou-me que desse um filme para a rapaziada instalada na Estima, como sabem membros da F. A. pisteiros, uma companhia de intervenção e o pessoal da C.CAÇ.3355. 

Assim estreei o equipamento que me acompanhou até à Estima.

Este pequeno curso serviu para projetar cinema na Chiringa e na Chipera. Fui um homem beneficiado pela sorte em tempo de guerra. Certamente fui dos poucos que ganhei amigos em todo o BAT 3843 graças à especialidade das transmissões.
Recebam um abraço.

EM 31/03/2025 António Fidalgo.

domingo, 30 de março de 2025

A FUNÇÃO DA CCAÇ 3355

A FUNÇÃO DA C.CAÇ.3355 EM ESTIMA ERA ASSEGURAR AS COLUNAS IDA E VOLTA PARA A CONSTRUÇÃO DE CABORA BASSA.

O BAT. 3843, Foi chamado a cumprir uma grande obrigação, o de ajudar na segurança do enorme empreendimento de Cabora Bassa. Graças ao esforço dos combatentes da C.CAÇ.3355, esta companhia do nosso Batalhão garantiu diariamente apoio de segurança aos transportes de vários materiais de construção bem como o apoio de deslocações de combatentes individuais que necessitavam de circular para apoio das companhias a Norte do rio Zambeze. Usei algumas  dessas colunas, com as condições possíveis. Esse Trabalho começava bem sedo, na Amaroeira davam início à coluna da manhã com viaturas civis, por norma descarregadas e por voltas das 14 horas, partia da cidade de TETE, nova coluna, mas desta vez com as viaturas carregadas dos materiais necessários para a construção de Cabora Bassa, com destino ao Songo, a mesma equipa de jovens militares, estes chegavam à Estima já noite. Fiz uma dessas colunas, chegado à Estima fui como sempre bem recebido, pelo Furriel Chagas e demais companheiros, pois tinha nessa companhia bons amigos. Depois de um rápido banho, dirigi-me à messe afim de comer algo. Para espanto meu vejo o 1º Sargento Pomar, à mesa de boina na cabeça. Digo-lhe meu primeiro está aqui um Sol do caraças. O pessoal ao redor desatou a rir do meu comentário, conheci este militar de carreira em C.8, em Elvas, onde por sinal ele era 2º Sargento e eu 1º Cabo Miliciano, onde dei uma recruta. O 1ª Sargento Pomar, era natural dos Arcos, uma freguesia do concelho de Estremoz, por vezes encontrávamo-nos  em Estremoz, nos fins de semana, daqui nasceu uma franca amizade e certamente alguma confiança entre ambos. Fomos falando e a origem de usar a cabeça tapada, começou por duas chamadas de atenção pelo senhor Coronel Rodrigo da Fonseca, que apanhou o 1º Pomar, duas vezes com a cabeça descoberta e o senhor Coronel, que andava sempre bem fardado disse para o 1º Pomar, se o apanho novamente de cabeça destapada dou-lhe uma porrada! A partir daquele dia o nosso primeiro Pomar, só tirava o barrete da cabeça quando tomava banho. O senhor Coronel Silveira assim que podia impunha a sua exigência em matéria de actavio pessoal. Este oficial era o comandante do CODCB todos os elementos do nosso Batalhão o conheciam. O senhor era oriundo da arma de cavalaria e impunha a todos a sua matriz. Amigos um abraço do Antonio Fidalgo.



EM 30/03/2025 Antonio Fidalgo.

Na foto por baixo o grupo de graduados das transmissões do BAT, 343 esta foto foi tirada em Vale de Lobos na semana de campo aqui estávamos em Caç. 5, Lisboa, a dar uma especialidade O futuro furriel de transmissões da C.CAÇ.3355, é o segundo encima da esquerda para a direita.

sábado, 29 de março de 2025

NA GUERRA TAMBÉM SE CANTAVA

NA GUERRA TAMBÉM SE CANTAVA
de O XICO CAEIRO.

Recorde com saudade

Tanta canção trauteada

Esquecíamos a maldade

Que nos estava reservada

Jovens queridos amados

No peito surgia o desalento

Quantas vezes mal tratados

Sujeitos a duro regulamento

Foram tempos amargurados

O que a história nos reservou

Sentimos que fomos usados

Guerra triste nos atormentou

Quantas vezes mal comidos

Tantas maldades sentidas

Tal como zumbos esquecidos

Noites escuras mal dormidas

Remávamos contra a maré

A nossa juventude desandava

Cada qual com a sua fé

A comissão pouco avançava

O Xico.Caeiro era condutor

A sua bonita viola dedilhava

Surgia sempre algum cantor

Uma canção interpretava

A música de intervenção

Por imensos era trauteada

Era simples manifestação

Contra o que nos rodeava

A música foi nossa aliada

Lá bem longe na escuridão

Tanta canção recordada

Durante a nossa comissão

Surgiu uma forte amizade

Entre jovens desterrados

Golpe de asa ou felicidade

Estes os tempos lá passados

O Caeiro foi um condutor

Por tantos foi acarinhado

Hoje em dia é um senhor

Que merece ser recordado



EM 28/03/2025 António Fidalgo

Para o Francisco Caeiro e seus familiares envio um sentido abraço. Obrigado pelas horas passadas contigo na guerra. A TODOS um abraço do António Fidalgo.

O Francisco Caeiro com a sua grande amiga na guerra, a sua querida viola, que colocou muita gente a sonhar.

INÍCIO DA COMISSÃO

INÍCIO DA COMISSÃO PASSEI EM ESTIMA NA PRIMEIRA VINDA DE TETE. VI O PRIMEIRO GUERRILHEIRO DA FRELIMO

O oficial que coordenava as operações na zona era um Major paraquedista, que não recordo o nome. Um senhor bem constituído fisicamente. Na altura uma equipa de pisteiros tinha apanhado membros da guerrilha. Em determinada operação. Foi recebido por dois amigos de longa data. O 1º Sargento Pomar, natural dos Arcos, concelho de Estremoz, e por um outro grande Alentejano de Elvas o furriel Chagas. Claro que conhecia vários furriéis atiradores e por sinal no Paquete Niassa conheci bem o Furriel enfermeiro da Estima o furriel Godinho. Atrevo-me a escrever sobre a Estima porque consta haver pouca informação da C.CAÇ.3355 a companhia do Capitão Melo, que todos conheceram. Informaram-me que tinham apanhado membros da FRELIMO e que um deles era bastante agressivo. O guerrilheiro estava algemado preso a um poste por uma questão de segurança, de vez em vez o guerrilheiro pedia para urinar, o tal senhor major libertava-o de uma algema, o guerrilheiro aliviava a bexiga e era de novo algemado. Até que uma das vezes com os braços livres, agarrou uma pedra do chão, com alguma dimensão e agrediu o tal major.  O guerrilheiro não conseguiu fugir, conheci o tal major com um penso grande na cabeça. Pedi ao meu amigo furriel Chagas que me levasse próximo do guerrilheiro. Apenas por uma questão de curiosidade. O furriel Chagas atendeu ao meu pedido e pelas primeira vez vi um guerrilheiro de carne e osso. Foi uma passagem pela Estima já de noite não mais esquecida. Amigo António Antônio Ramos aqui tens uma história vivida na tua querida C. CAÇ.3355 em Estima. 



Uma foto no Paquete Niassa com o vosso furriel enfermeiro Godinho ao centro da foto. Prometo contar mais algo vivido por mim na Estima.

HÁ HOMENS QUE NOS MARCAM PELO SEU RIGOR

HÁ HOMENS QUE NOS MARCAM PELO SEU RIGOR E HONESTIDADE. SOLD. ARTUR DA COSTA MOURISCO.

Quis o destino que a comissão em Moçambique da C.CAÇ.3357 me desse este companheiro de trabalho. O MOURISCA de alcunha o COISA. Esta palavra muito usado pelo Mourisca, quando atendia ao balcão da cantina da C-CAÇ-3357. O que este jovem fazia para que as contas da cantina, dessem certas no final do mês. Que paciência demonstrava. Quantos de nós, só para ouvirem ou seu reparo o provocávamos, jovem extremamente educado, naquele buraco de fim do mundo adoravam ouvir aquela pronúncia do Norte a dizer AI QUE COIJA MEU DEUS. Certo dia o jovem calmo estava a atender um Africano do aldeamento da Chiringa. O africano não sabia fazer contas, após cada pedido ao Mourisca perguntava se o dinheiro do troco dava para mais algum bagaço? O cantineiro dizia sim dá! Então quero um bagaço. O africano pagava o Mourisco dava o troco, apercebeu-se que iria fazer trocos até o africano gastar o dinheiro todo que sobejava. Então resolveu não fazer mais troco, encheu vários copos de bagaço e diz para o africano olha acabou-se o teu dinheiro. Sobejou uma quinhenta e rematou, venho de tão longe para aturar esta gente. Mas que coija meu Deus. O tempo vai passando lentamente, vem a altura da rotação do BAT.3843, o Mourisca critica os seus companheiros de infortúnio por gastarem o dinheiro em cervejas e tabaco, começou por dizer olhai que vocês ides passar mal. Vós não poupais, depois não gozais. Tive imensa sorte ao tê-lo como colaborador. O então nosso escriturário, Rui Pimpão Pinto depois dos mapas de contas feitas, tinha de bater á máquina todos os mapas para serem enviados até aos respectivos serviços em Nampula. O Mourisca por vezes ia há pista. Certo dia chegou um militar na terceária vendo o Mourisca com bigode farto e de camuflado muito velho, bem como o quique. farda esta que tinha sido resgatado de um fardo de trapos que tinha chegado até nós para limpeza do armamento. O passageiro ao ver o bom do Mourisca junto do avião com aquellla farda antiga perguntou-lhe Oh nosso você já está há muito tempo em Moçambique? Resposta do Mourisco eu sei lá quando vim, já estive em Cabo Delgado a combater por castigo mandaram-me para aqui. Claro que os presentes partiram-se a rir com aquela resposta. Acabamos a comissão cada um procurou trabalho o Mourisca era guarda-fios dos CTT ao executar um trabalho num traçado caíu de um posto abaixo e foi dos primeiros a partir. Que descanse em paz aquele excelente jovem.



O Mourisca atras do Capitão Raimundo.

sexta-feira, 28 de março de 2025

O FURRIEL DOMINGUES

O FURRIEL DOMINGUES HOMEM DE OPERAÇÕES ESPECIAIS

Este nosso companheiro, partiu jovem demais. Tinha uma barba serrada, mas não tinha bigode. Assim que demos início à comissão o nosso Capitão Raimundo, para tirar tensão ao ambiente.  permitiu que quem quisesse podia usar bigode. Todos os graduados faziam chacota do bigode do Furriel Domingues, que teimava em não crescer, embora tivesse barba abundante, quando se levantava vento, alguém dizia ouçam o bigode do furriel Domingues a crescer, a resposta dele era sempre a mesma, palhaço. que grandes palhaços.. Devido à sua especialidade, de Operações Especiais, era um jovem de compleição forte, com robustez acima da média. Por vezes usava uma camisola interior, com o emblema dos Rangeres. Quando partimos para o Ultramar, na televisão portuguesa, a preto e branco, surgia um anúncio do esquentador Junquer, que dizia algo assim, junquer junqueríse a sua casa comprando um junquer. O jovem Furriel Domingues, quando vestia  a tal "t chart", enchia o peito de ar e dando socos no peito como um gorila, gritava: aproveitando o anúncio. Ranger,  Rangerise a sua filha casando-a com um Ranger, claro que toda a malta ria da ansiedade do Domingues por terras de África. Melgaço, perdeu um excelente cidadão e ferrenho jogador de futebol da sua terra,. mesmo depois de regressarmos, deixou de jogar futebol federado, mas ajudava nas instalações do clube e fez parte dos corpos gerentes. Estivemos juntos no encontro de Aveiro,  depois de 19 anos da nossas comissão, a partir daqui falávamos imensas vezes ao telefone. Que aquele bom jovem e amigo, descanse em paz. Muita vez o recordo grande companheiro. 

Um dos Homens de OP.ESP. o Furriel Domingues em destaque nesta foto do lado esquerdo da mesma. A foto foi tirada pelo seu companheiro de operações o Furriel Jung.

quarta-feira, 26 de março de 2025

OS GRADUADOS DA C.CAÇ 3357

TODAS AS TERÇAS-FEIRAS SURGIA A TERCEÁRIA ERA UM DIA AGRIDOCE PARA OS GRADUADOS DA C.CAÇ.3357.

A alegria de receber notícias de Portugal, era algo entusiasmante, todos aguardávamos com expectativa a distribuição do correio. Uns porque recebiam correio de vária sensibilidade e afectiva. 

Recordo quando chegava até nós uma foto de alguém que nos era querido. Uma simples encomenda dos nossos pais, Sentíamos que apesar de longe não estávamos esquecidos. Quando chegava um jornal desportivo. Era uma imensa alegria ter informação do desempenho do clube do nosso coração. Neste saco do correio viajava correio de cariz confidencial para o comandante de companhia, relatórios da actividade operacional da guerrilha bem como o material do centro cripton e normas das transmissões. As informações vinha através do SINTESE creio que era assim que se chamava. Todas as noites de terças-feiras o nosso Capitão Raimundo reunia com todos os graduados na messe e este dividia as preocupações da actividade operacional da guerrilha por estas bandas. Informações essas que vinham de fonte fidedigna precisamente da PIDE, era uma fonte de informação precisa do exército, trabalhada por agentes com inteligência. 

Os documentos eram lidos em voz alta pelo nosso comandante de companhia, ainda era um volume considerável de folhas cheias de informação alusivas ao nosso sector. Acontecia porém que no início todos ouvíamos com elevada atenção toda a informação recebida, acabada a reunião a maioria de nós não comentava nada do sucedido. O pior é que com tal hábito do nosso Capitão os extensos relatórios provocavam sono e algum desconforto entre nós Ao ponto de fecharmos os olhos. O nosso Capitão apercebia-se e chamava a atenção aos mais desatentos. Recordo numa dessas noites que fomos informados que na nossa zona, tinha sido enviado mais um grupo de guerrilheiros equivalentes a uma companhia militar nossa e que para além disso, traziam armamento novo, um lança granadas foguete, uma arma potente, podia ser manobrada de uma distância considerável, usavam uma rampa de lançamento, de aproximadamente dois metros, necessitavam de vários carregadores para o seu transporte e as munição do 122mm tinha um raio de acção de 150 metros. 

No aquartelamento da Chiringa se caísse uma granada dessas junto do pau da bandeira atingia quase todo o aquartelamento Aqui ficámos todos preocupados, mesmo depois da dita reunião os comentários e desconforto ficaram instalados e em crescimento. A guerrilha estava a fazer uma corrida ao armamento. Dizíamos pobres de nós apenas com um morteiro de 81mm e de 61mm não conseguíamos atingir tanta distância. por sua vez íamos tendo conhecimento através de amigos nossos, que na Guiné a guerra estava a levar um caminho mais desagradável, para a bandeira portuguesa. Felizmente não fomos atacados por tal arma, de seguida fomos rendidos, deixámos essa grande herança para os combatentes seguintes. Infelizmente a Chipera sofreu um ataque dessa arma depois de nós termos sido rendidos. Cabo Delgado foi onde ocorreu o ensaio dessa péssima arma. Ainda estávamos na Chiringa houve um ataque de 122mm em Tete contra a Força Aérea, onde a guerrilha teve algum sucesso. No final da comissão já longe da guerra a nossa maior preocupação era contar os dias para que regressássemos a casa.

Foto do Furriel Jung na messe com um grupo de graduados da C.CAÇ.3357. Todos tão novinhos. O furriel Domingos com elevada atenção.

terça-feira, 25 de março de 2025

AS ALDEIAS AFRICANAS

TODAS AS ALDEIAS AFRICANAS TINHAM UM CHEFE POR VEZES SURGIA UM RÉGULO ESTE RESPONDIA POR VÁRIAS ALDEIAS, PERANTE O ADMINISTRADOR, NA CHIRINGA HAVIA O CHEFE DAVID.

Imaginem coluna da Chiringa até à Chipera, os Africanos aguardam a boleia por norma junto do edifício do comando, no quartel da Chiringa. Reparo que o chefe David, africano com quem dialogava várias vezes, aguardava pela boleia, mas naquele dia estava com um canhangulo. Algo que não era normal. Pergunto David, onde vai de canhangulo? O mesmo responde: "furieri" vou na Chipera e levo espera pouco para caçar no caminho e na Chipera lá há mais caça do que aqui.

Como faz?

Ele respondeu acompanhado de movimentos de mão. 

Furieri vou devagar, devagarinho mesmo aponto o espera pouco e a caça cai. Digo-lhe a sorrir e se falhar o tiro, com um gesto como quem manda parar um autocarro, diz para o animal visado, espera pouco que vou carregar a arma novamente e disparo de novo. Já a rir às gargalhadas comentei:

David só se o animal for bastante surdo, ele aguarda para o David carregar o espera pouco. Mas acrescente o David, não devia de ir à caça na zona da Chipera! Porquê furieri? Porque esta semana chegou uma companhia nova à Chipera e se houver uma operação na zona vêm um Africano desconhecido no mato com um canhangulo e podem até matá-lo. O bom do David, responde como se tivesse sido atingido por um tiro F...... claro que me desmanchei a rir. Mas o David, lá apanhou a coluna e tornou sem problema de maior. Diálogo entre um Alentejano de vinte e poucos anos e um Africano de 53 anos.

Aldeamento da Chiringa.

segunda-feira, 24 de março de 2025

EM ÁFRICA AS NOITES ERAM FRIAS

 EM ÁFRICA AS NOITES ERAM FRIAS.

Como tenho escrito algo sobre África, da comissão que nos foi imposta, ao chegarmos a África todos sentimos imenso calor, mas porém algumas noites eram bastante frias.
Já contei sobre o estágio das transmissões em Nampula, nesta cidade militar, durante a nossa permanência, íamos ouvido aventuras e histórias, nada simpáticas das zonas de guerra, histórias essas narradas por jovens que calcorreavam aquelas picadas complicadas Africanas. Claro que falavam, de minas, emboscadas, intempéries, acidentes, aventuras e imaginem do feijão macaco e sobre caça.
Aqui em Nampula, víamos a maioria dos militares de blusões vestidos, e comentávamos está cá um frio, os mais velhos riam das nossas bocas. Respondiam daqui por um ano já cá não estamos mas vocês os que escaparem irão vestir os vossos blusões! 

Acabado o estágio fomos enviados de comboio até Nacala, este comboio, era estranho para além de ser puxado por máquina a vapor, o espaço entre bancos era reduzido de tal maneira que os joelhos dos passageiros incomodavam o companheiro sentado à nossa frente. No mesmo comboio, vindo do Niassa viajavam conosco graduados da CCS do coronel Craveiro Lopes, estes ao fim de poucos meses de comissão no Niassa, sofreram vários ataques da guerrilha, fizeram uma rotação precoce e foram colocados na Chicoa como sabemos. Chego a dizer que este senhor tinha um comportamento de guarda fiscal, pois adorava as apresentações das companhias que passavam pela Chicoa e adorava colocar carimbos nas guias de marcha dos circulantes. 

Chegámos a Nacala, passado largas horas, Aqui havia apenas um género de secção militar diminuto, entregue a um 1ºcabo, por sorte surgiu uma viatura da F.A.P. que ia buscar algo à estação terminal do comboio, O jovem alertou-nos que Nacala, ficava a meia dúzia de Kms, e disse que era melhor aproveitarmos a sua boleia. Perante tal dificuldade, aceitamos a boleia e levou-nos até às instalações da Força. Aérea. Aqui somos recebidos pelo oficial dia e este um jovem simpático, destinou-nos dormitório. Estávamos cheios de fome, o gerente de messe com pena da malta, arranjou-nos umas sandes e uns galões. No dia seguinte, somos levados ao aeroporto, aguardamos o transporte militar de um Nordatlas, que trazia vários paraquedistas do distrito do Niassa. Vimos o piloto com blusão de pele e gola do mesmo material mas de pelo, alguns de nós rimos, entrámos no avião, as nossas malas no centro do corredor seguras por uma forte rede, assentos de tiras de lona cruzadas, eram confortáveis, as costas apoiadas na estrutura da aeronave, cai a noite, começa a surgir o frio, encostamo-nos uns aos outros chegámos ao aeroporto da cidade da Beira, não conseguíamos dar passos, pois senti o maior frio da minha vida. Com esforço saímos do avião e os mais resistentes rebocaram os seus companheiros. 

No dia seguinte chegámos à cidade de Tete, Mais um local onde o calor se fazia sentir, somos surpreendidos com as baixas do BAT.3843 por acidente de minas. Pois saibam que em África faz imenso frio.

Foto da Net. avião sem temperatura regulada. o NORDATLAS conhecido por barriga de jindungue entre os jovens militares.

HISTÓRIAS DA GUERRA QUE JÁ MAIS ESQUECEM

 HISTÓRIAS DA GUERRA QUE JÁ MAIS ESQUECEM. A PRESSÃO SOBRE UM MAÇARICO.

Todos os que percorreram esta aventura e a travessia do grande rio Zambeze, no batelão da Chicoa. Como  sabem recebemos o armamento no porto do antigo Lourenço Marques, que os militares designavam por L.M. sendo furriel de transmissões fomos desviados para Nampula quase um mês afim de frequentarmos um estágio e aprender os procedimentos usados nas transmissões em Moçambique. Cada antiga colónia, tinha uma forma característica de funcionamento nas transmissões. Como não podia levar armamento no avião entreguei o armamento ao pessoal das transmissões para que o levassem até à Chiringa.
Concluído o estágio, com viagem sinuosa, chegamos à cidade de Tete, quase um mês depois da nossa chegada a Moçambique. O dinheiro tinha acabado, já alguns dias que não comíamos algo substancial. Somos informados que no BAT. 3843, tinha ocorrido um acidente de minas grave! Jovens nossos estavam mutilados dos membros inferiores, a pergunta que se segue quem São? Ainda não temos um mês de comissão e já temos baixas, fomos ao hospital e visitámos os feridos graves, entre eles estava um jovem Furriel Sousa, com a especialidade de sapador, que por sinal conheci em Tavira, quando tirámos lá a especialidade. éramos da mesma companhia. Ao mesmo tempo sou informado que o nosso, Capitão Raimundo, estava na cidade de Tete, que tinha ido fazer uma coluna urgente, porque na Chiringa, o depósito de géneros estava sem farinha e géneros alimentícios. Procurei o nosso Capitão, ele ficou contente por eu ir ter à nossa companhia. Avançou-me um vale e nesse dia jantei como um Fidalgo. No dia seguinte deu-se início à coluna. Eu preocupado digo-lhe que não tenho arma! Ele um homem desenrascado, diz, não há problemas, toma uma granada de mão ofensiva. Coloco a mesma no cinturão do camuflado, Chegamos a Chicoa todos meio doidos e deu-se início à travessia do rio Zambeze, esta travessia era morosa pois o batelão era pequeno e passava uma viatura de cada vez para a margem Norte. Já no batelão saio da viatura e encosto-me há grade branca do batelão aquela que se vê na foto, no lado direito por baixo havia um fosso onde estava instalado o motor do batelão. A um terço do rio caia-me  a granada do cinto para o fosso que estava por trás do tal barramento branco, eu fiquei a aguardar o rebentamento, fugi dali e passado tempo como a granada não rebentou fui buscá-la. 

A mesma abriu um rasgo na base e via-se a carga explosiva, contei ao nosso Capitão, o que tinha sucedido, mostrando-lhe a granada e ele diz, não há problemas! Só rebenta se tirarmos a cavilha. Agora imaginem a pressão que senti ao ver a granada caída no fosso junto do motor. Dormimos na Chipera, no dia seguinte chegámos à Chiringa, sem problemas de maior. Perguntei pelo armamento, não havia, Um jovem soldado ao fazer a primeira operação hélitransportada ao saltar do aparelho caiu num buraco no mato bateu com a arma dele no chão. Partiu a coronha da arma, quando cheguei à Chiringa disseram-me  o que tinha ocorrido na operação e a partir daquela data, a minha arma andou ao serviço da guerra mas eu nunca a usei. Como veem há jovens que foram à guerra sem a G3. Por sinal entregaram-me uma pistola Walter de 9mm, foi a arma que tive ao longo da comissão. Agora havia sempre alguém que me pedia a pistola quando iam ter com as meninas. aquela arma pernoitou muitas vezes junto de companhia feminina. Eis a minha primeira coluna por terras de África. UFF.....só a mim podia suceder tal coisa.


FOTO DO FURRIEL JUNG.
O almirante Coutinho foi assassinado após a independência nunca lhe perdoaram por ter atravessado muitos Batalhões para a margem Norte e vice versa. A democrática FRELIMO executou muita gente após as independências, entre eles o Capitão Jeremias, comandante da C. CAÇ.3356.