GUERRA DO ULTRAMAR
MOÇAMBIQUE 1972-1974
25 de Agosto de 1972
25 de Agosto de 2026
Já passaram 54 anos.
O dia mais negro da nossa passagem por Moçambique, aquela manhã do dia 25 de Agosto de 1972 uma emboscada à coluna que ia de Chipera em auxílio do pelotão destacado na Chiboeia que também tinha sido atacado de noite. Vários feridos e a maior perda: a morte do nosso comandante de companhia, o capitão Cunha que nos deixou na flor da idade, com cerca de 27 anos, ao ser atingido em cheio por uma bazucada disparada dos morros que ladeavam a picada, tendo-lhe decepado a perna, separando-a em duas, como mostram as imagens chocantes na foto em anexo.
Como ele gostaria de ver as transformações sociais, políticas e económicas do nosso país, durante estes 54 anos e que nós naquela manhã tão dolorosa nunca pensávamos que se pudessem verificar
Paz à tua alma, saudoso capitão Cunha, onde quer que estejas.
Fazes parte daqueles que foram esquecidos pelos vários poderes criando um muro de silêncio à volta do tabu da guerra colonial, em que a nossa geração teve que participar.
És apenas mais um número, ordenado pelo ano e nome dos cerca de 9.600 que constam lá no Memorial de Belém na capital do país que teimou em manter um império obsoleto, fazendo tábua rasa dos ventos da história.
Enquanto por cá andarmos não te esqueceremos. Quando partirmos fica a memória preservada em escritos e poemas dos inconformados que teimam em não deixar cair na vulgaridade esse período negro do nosso viver.
Como este:
E com raiva dos outros
Matou matou matou
Até que um dia
Oh ironia
Nesse dia havia sol
Havia esperança
Havia a mulher
Havia os filhos, a mãe uma carta
Havia havia havia
Mas esfarelou-se todo
Todo
No gargalhar traiçoeiro
Das granadas
De bico amarelo
E de rabo encarnado
(RUY NOGAR)

























