segunda-feira, 24 de março de 2025

EM ÁFRICA AS NOITES ERAM FRIAS

 EM ÁFRICA AS NOITES ERAM FRIAS.

Como tenho escrito algo sobre África, da comissão que nos foi imposta, ao chegarmos a África todos sentimos imenso calor, mas porém algumas noites eram bastante frias.
Já contei sobre o estágio das transmissões em Nampula, nesta cidade militar, durante a nossa permanência, íamos ouvido aventuras e histórias, nada simpáticas das zonas de guerra, histórias essas narradas por jovens que calcorreavam aquelas picadas complicadas Africanas. Claro que falavam, de minas, emboscadas, intempéries, acidentes, aventuras e imaginem do feijão macaco e sobre caça.
Aqui em Nampula, víamos a maioria dos militares de blusões vestidos, e comentávamos está cá um frio, os mais velhos riam das nossas bocas. Respondiam daqui por um ano já cá não estamos mas vocês os que escaparem irão vestir os vossos blusões! 

Acabado o estágio fomos enviados de comboio até Nacala, este comboio, era estranho para além de ser puxado por máquina a vapor, o espaço entre bancos era reduzido de tal maneira que os joelhos dos passageiros incomodavam o companheiro sentado à nossa frente. No mesmo comboio, vindo do Niassa viajavam conosco graduados da CCS do coronel Craveiro Lopes, estes ao fim de poucos meses de comissão no Niassa, sofreram vários ataques da guerrilha, fizeram uma rotação precoce e foram colocados na Chicoa como sabemos. Chego a dizer que este senhor tinha um comportamento de guarda fiscal, pois adorava as apresentações das companhias que passavam pela Chicoa e adorava colocar carimbos nas guias de marcha dos circulantes. 

Chegámos a Nacala, passado largas horas, Aqui havia apenas um género de secção militar diminuto, entregue a um 1ºcabo, por sorte surgiu uma viatura da F.A.P. que ia buscar algo à estação terminal do comboio, O jovem alertou-nos que Nacala, ficava a meia dúzia de Kms, e disse que era melhor aproveitarmos a sua boleia. Perante tal dificuldade, aceitamos a boleia e levou-nos até às instalações da Força. Aérea. Aqui somos recebidos pelo oficial dia e este um jovem simpático, destinou-nos dormitório. Estávamos cheios de fome, o gerente de messe com pena da malta, arranjou-nos umas sandes e uns galões. No dia seguinte, somos levados ao aeroporto, aguardamos o transporte militar de um Nordatlas, que trazia vários paraquedistas do distrito do Niassa. Vimos o piloto com blusão de pele e gola do mesmo material mas de pelo, alguns de nós rimos, entrámos no avião, as nossas malas no centro do corredor seguras por uma forte rede, assentos de tiras de lona cruzadas, eram confortáveis, as costas apoiadas na estrutura da aeronave, cai a noite, começa a surgir o frio, encostamo-nos uns aos outros chegámos ao aeroporto da cidade da Beira, não conseguíamos dar passos, pois senti o maior frio da minha vida. Com esforço saímos do avião e os mais resistentes rebocaram os seus companheiros. 

No dia seguinte chegámos à cidade de Tete, Mais um local onde o calor se fazia sentir, somos surpreendidos com as baixas do BAT.3843 por acidente de minas. Pois saibam que em África faz imenso frio.

Foto da Net. avião sem temperatura regulada. o NORDATLAS conhecido por barriga de jindungue entre os jovens militares.

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