TODAS AS TERÇAS-FEIRAS SURGIA A TERCEÁRIA ERA UM DIA AGRIDOCE PARA OS GRADUADOS DA C.CAÇ.3357.
A alegria de receber notícias de Portugal, era algo entusiasmante, todos aguardávamos com expectativa a distribuição do correio. Uns porque recebiam correio de vária sensibilidade e afectiva.
Recordo quando chegava até nós uma foto de alguém que nos era querido. Uma simples encomenda dos nossos pais, Sentíamos que apesar de longe não estávamos esquecidos. Quando chegava um jornal desportivo. Era uma imensa alegria ter informação do desempenho do clube do nosso coração. Neste saco do correio viajava correio de cariz confidencial para o comandante de companhia, relatórios da actividade operacional da guerrilha bem como o material do centro cripton e normas das transmissões. As informações vinha através do SINTESE creio que era assim que se chamava. Todas as noites de terças-feiras o nosso Capitão Raimundo reunia com todos os graduados na messe e este dividia as preocupações da actividade operacional da guerrilha por estas bandas. Informações essas que vinham de fonte fidedigna precisamente da PIDE, era uma fonte de informação precisa do exército, trabalhada por agentes com inteligência.
Os documentos eram lidos em voz alta pelo nosso comandante de companhia, ainda era um volume considerável de folhas cheias de informação alusivas ao nosso sector. Acontecia porém que no início todos ouvíamos com elevada atenção toda a informação recebida, acabada a reunião a maioria de nós não comentava nada do sucedido. O pior é que com tal hábito do nosso Capitão os extensos relatórios provocavam sono e algum desconforto entre nós Ao ponto de fecharmos os olhos. O nosso Capitão apercebia-se e chamava a atenção aos mais desatentos. Recordo numa dessas noites que fomos informados que na nossa zona, tinha sido enviado mais um grupo de guerrilheiros equivalentes a uma companhia militar nossa e que para além disso, traziam armamento novo, um lança granadas foguete, uma arma potente, podia ser manobrada de uma distância considerável, usavam uma rampa de lançamento, de aproximadamente dois metros, necessitavam de vários carregadores para o seu transporte e as munição do 122mm tinha um raio de acção de 150 metros.
No aquartelamento da Chiringa se caísse uma granada dessas junto do pau da bandeira atingia quase todo o aquartelamento Aqui ficámos todos preocupados, mesmo depois da dita reunião os comentários e desconforto ficaram instalados e em crescimento. A guerrilha estava a fazer uma corrida ao armamento. Dizíamos pobres de nós apenas com um morteiro de 81mm e de 61mm não conseguíamos atingir tanta distância. por sua vez íamos tendo conhecimento através de amigos nossos, que na Guiné a guerra estava a levar um caminho mais desagradável, para a bandeira portuguesa. Felizmente não fomos atacados por tal arma, de seguida fomos rendidos, deixámos essa grande herança para os combatentes seguintes. Infelizmente a Chipera sofreu um ataque dessa arma depois de nós termos sido rendidos. Cabo Delgado foi onde ocorreu o ensaio dessa péssima arma. Ainda estávamos na Chiringa houve um ataque de 122mm em Tete contra a Força Aérea, onde a guerrilha teve algum sucesso. No final da comissão já longe da guerra a nossa maior preocupação era contar os dias para que regressássemos a casa.
Foto do Furriel Jung na messe com um grupo de graduados da C.CAÇ.3357. Todos tão novinhos. O furriel Domingos com elevada atenção.
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