HISTÓRIAS DA GUERRA QUE JÁ MAIS ESQUECEM. A PRESSÃO SOBRE UM MAÇARICO.
Todos os que percorreram esta aventura e a travessia do grande rio Zambeze, no batelão da Chicoa. Como sabem recebemos o armamento no porto do antigo Lourenço Marques, que os militares designavam por L.M. sendo furriel de transmissões fomos desviados para Nampula quase um mês afim de frequentarmos um estágio e aprender os procedimentos usados nas transmissões em Moçambique. Cada antiga colónia, tinha uma forma característica de funcionamento nas transmissões. Como não podia levar armamento no avião entreguei o armamento ao pessoal das transmissões para que o levassem até à Chiringa.
Concluído o estágio, com viagem sinuosa, chegamos à cidade de Tete, quase um mês depois da nossa chegada a Moçambique. O dinheiro tinha acabado, já alguns dias que não comíamos algo substancial. Somos informados que no BAT. 3843, tinha ocorrido um acidente de minas grave! Jovens nossos estavam mutilados dos membros inferiores, a pergunta que se segue quem São? Ainda não temos um mês de comissão e já temos baixas, fomos ao hospital e visitámos os feridos graves, entre eles estava um jovem Furriel Sousa, com a especialidade de sapador, que por sinal conheci em Tavira, quando tirámos lá a especialidade. éramos da mesma companhia. Ao mesmo tempo sou informado que o nosso, Capitão Raimundo, estava na cidade de Tete, que tinha ido fazer uma coluna urgente, porque na Chiringa, o depósito de géneros estava sem farinha e géneros alimentícios. Procurei o nosso Capitão, ele ficou contente por eu ir ter à nossa companhia. Avançou-me um vale e nesse dia jantei como um Fidalgo. No dia seguinte deu-se início à coluna. Eu preocupado digo-lhe que não tenho arma! Ele um homem desenrascado, diz, não há problemas, toma uma granada de mão ofensiva. Coloco a mesma no cinturão do camuflado, Chegamos a Chicoa todos meio doidos e deu-se início à travessia do rio Zambeze, esta travessia era morosa pois o batelão era pequeno e passava uma viatura de cada vez para a margem Norte. Já no batelão saio da viatura e encosto-me há grade branca do batelão aquela que se vê na foto, no lado direito por baixo havia um fosso onde estava instalado o motor do batelão. A um terço do rio caia-me a granada do cinto para o fosso que estava por trás do tal barramento branco, eu fiquei a aguardar o rebentamento, fugi dali e passado tempo como a granada não rebentou fui buscá-la.
A mesma abriu um rasgo na base e via-se a carga explosiva, contei ao nosso Capitão, o que tinha sucedido, mostrando-lhe a granada e ele diz, não há problemas! Só rebenta se tirarmos a cavilha. Agora imaginem a pressão que senti ao ver a granada caída no fosso junto do motor. Dormimos na Chipera, no dia seguinte chegámos à Chiringa, sem problemas de maior. Perguntei pelo armamento, não havia, Um jovem soldado ao fazer a primeira operação hélitransportada ao saltar do aparelho caiu num buraco no mato bateu com a arma dele no chão. Partiu a coronha da arma, quando cheguei à Chiringa disseram-me o que tinha ocorrido na operação e a partir daquela data, a minha arma andou ao serviço da guerra mas eu nunca a usei. Como veem há jovens que foram à guerra sem a G3. Por sinal entregaram-me uma pistola Walter de 9mm, foi a arma que tive ao longo da comissão. Agora havia sempre alguém que me pedia a pistola quando iam ter com as meninas. aquela arma pernoitou muitas vezes junto de companhia feminina. Eis a minha primeira coluna por terras de África. UFF.....só a mim podia suceder tal coisa.
FOTO DO FURRIEL JUNG.
O almirante Coutinho foi assassinado após a independência nunca lhe perdoaram por ter atravessado muitos Batalhões para a margem Norte e vice versa. A democrática FRELIMO executou muita gente após as independências, entre eles o Capitão Jeremias, comandante da C. CAÇ.3356.
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