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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

GUERRA DO ULTRAMAR

GUERRA DO ULTRAMAR

MOÇAMBIQUE 1972-1974

 

25 de Agosto de 1972

25 de Agosto de 2026

 

Já passaram  54 anos.

O dia mais negro da nossa passagem por Moçambique, aquela manhã do dia 25 de Agosto de 1972 uma emboscada à coluna que ia de Chipera em auxílio do pelotão destacado na Chiboeia que também tinha sido atacado de noite.  Vários feridos e a maior perda: a morte do nosso comandante de companhia,  o capitão Cunha que nos deixou na flor da idade, com cerca de 27 anos, ao ser atingido em cheio por uma bazucada disparada dos morros que ladeavam  a picada, tendo-lhe decepado  a perna,  separando-a em duas,  como mostram  as imagens chocantes na foto em anexo. 

Como ele gostaria de ver as transformações sociais, políticas e económicas do nosso  país,  durante estes 54  anos e que nós naquela manhã tão dolorosa nunca pensávamos que se pudessem verificar

Paz à tua alma,  saudoso  capitão Cunha, onde quer que estejas.

Fazes parte daqueles que  foram esquecidos pelos vários poderes criando um muro de silêncio à volta do tabu da guerra colonial,  em que a nossa geração teve que participar.



És apenas mais um número,  ordenado pelo ano e nome  dos cerca de 9.600 que constam lá no Memorial de Belém na capital do país  que teimou em manter um  império obsoleto,  fazendo tábua rasa dos ventos da história.

Enquanto por cá andarmos não te esqueceremos. Quando partirmos fica a memória preservada em escritos e  poemas   dos inconformados que teimam em não deixar cair na vulgaridade esse   período negro do nosso viver.

 

Como este:

E com raiva dos outros

Matou matou matou

Até que um dia

Oh ironia

Nesse dia havia sol

Havia esperança

Havia a mulher

Havia os filhos, a mãe uma carta

Havia havia havia

Mas esfarelou-se todo

Todo

No gargalhar traiçoeiro

Das granadas

De bico amarelo

E de rabo encarnado 

(RUY NOGAR)