quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ELES VÃO APARECENDO, AOS POUCO...

O acaso tem destas coisas. Outro dia li uma mensagem, que tinha caído na minha caixa de correio electrónico e que muito me agradou. Por vezes pensamos que já nada nos surpreende mas a vida encarrega-se de nos trocar as voltas. Foi o caso desta mensagem que passo a transcrever para todos vós.

"Olá amigo Victor, aliás meu furriel Pessa.
Foi um prazer encontrar alguém que esteve durante 2 anos praticamente juntos. Ninguém imagina a minha alegria quando procurava qualquer coisa no Google, quando de repente apareceu o "meu" de nós todos BCac3843, companhia CCS.
Chorei de alegria pois era tão grande era a emoção.
Já tinha tentado saber se alguém se ocupava dos encontros de convívio entre amigos e não consegui.
Chega de treta.
Sou o Soldado Condutor NUNO NASCIMENTO COELHO, sou natural de Valado dos Frades, Concelho da Nazaré.
Desde Setembro de 1973, altura em que emigrei para França, onde tenho permanecido já lá vão 38 anos.
Hoje estou reformado, faço mais ou menos 4 a 5 meses em Portugal e o resto em França.
Lembras-te de uma vez estarmos de serviço na ronda à cidade de Mocuba, eu estava de condutor dia e tu pediste-me para te deixar conduzir o jipe. Eu cheio de medo que fosses apanhado por algum oficial.
Havemos de nos encontrar um dia para matar as saudades desse tempo.
Foi com imenso prazer que vi as fotos de muitos camaradas conhecidos da altura.
Hoje estamos mais velhos, entre outro, o nosso Maj. Figueiredo nosso cdt. Maj. Vicente, Cap. Rodrigues, o nosso capelão, 1° Careto, Sarg. Vaz, e todos os outros que estavam nas fotos do blog.
Bem hajam essas pessoas que foram mais longe em fazerem este blog."




Como tu me pediste aqui vão 3 fotos tiradas em Chipera.
O Karim já me ligou ontem, reconheci-lhe a voz, mas talvez também por saber que tu lhe ias dar os meus dados. Mais uma vez as lágrimas vieram aos olhos assim como ontem quando recebi o teu mail.
Vê lá se as duas primeiras fotos se te dizem qualquer coisa, visto na terceira estou aos pés do cmdt, Figueiredo. Abraço

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

QUEM É VIVO... SEMPRE APARECE! (1)

Lá diz o ditado português. Este ano tive a agradável surpresa de 40 anos passados falar com dois companheiros de tropa. O Branca do Rosário e o Sardinha da 2758.
Quanto ao Branca do Rosário foi muito engraçado, pois foi através da esposa dele que o contacto foi efectuado. Depois de umas tentativas de pesquisa sobre o BCaç3843, eis que acertam no alvo e dá de caras com o Blog. Imagino a surpresa. Daí a contactarem-me foi um passo. Claro que entrei de imediato em contacto com o Branca do Rosário e estivemos à conversa durante mais de 30 minutos. Está em Évora. Depois dos abraços, ficou a promessa que para o ano irá ao nosso encontro, onde ele fôr.


Quanto ao Sardinha, a situação foi diferente.
Estava eu muito bem repimpado ao sol, deitado na minha toalha azul escura, quando toca o telefone (está sempre ligado). A pessoa do outro lado começou por perguntar se eu tinha estado em Chipera, etc, etc. e se conhecia um tal Sardinha, de que falo num dos posts no Blog.
Claro que depois desta conversa toda fiquei a saber quem era a pessoa. Tratava-se de um ex camarada, que também tinha estado em Chipera e que fazia parta de uma compamhia que nos tinha ido render.
Como ainda está ao serviço e tem possibilidade de localização de pessoas, depressa encontrou o Sardinha.
Após confirmação com o próprio, telefona-me e diz-me que tinha encontrado o Sardinha e se eu queria falar com ele? Foi com enorme alegria que telefonei depois ao meu amigo Sardinha, que está em Lisboa e claro estivémos na conversa, bastante tempo. Ficou no ar um encontro, pois Lisboa é aqui ao lado.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

10 de JUNHO

Portugal é como sabemos um País dado a originalidades e onde não raras vezes, somos confrontados com situações difíceis de explicar pela falta de razoabilidade. Acontece em muitos aspectos da nossa vida como País e também na área "politico-militar". Agora que se aproxima o "10 de Junho" vamos tentar explicar [...] como aqui se chegou.

No período da Guerra do Ultramar, o "10 de Junho" era uma jornada de exaltação patriótica, militares e seus familiares eram homenageados.

No período que antecedeu o 25 de Abril de 1974, a 10 de Junho, mais concretamente a partir de 1963 – dois anos depois do inicio da luta anti-subversiva em Angola –, realizava-se uma cerimónia militar, na Praça do Comércio / Terreiro do Paço, em Lisboa. Foi até 1973 o ponto alto das comemorações do Dia de Camões, de Portugal e da Raça, Feriado Nacional, e ocasião para homenagear os portugueses que combatiam em África. Esta enorme parada militar ficou na memória de muitos uma vez que ali se impunham condecorações por feitos em combate. Às unidades que se haviam distinguido, aos militares de todas as patentes quer aqueles que cumpriam o serviço militar obrigatório quer os dos quadros permanentes e aos familiares daqueles que morrendo no campo de batalha, recebiam as distinções a título póstumo.
Doloroso para uns, motivador para outros, era um dia de exaltação patriótica.
Semelhante aliás ao que a generalidade dos países fazem, não faltando exemplos do reconhecimento público àqueles que combatem pelo seu país e aos seus familiares. Para aqueles que julgam ser isso coisa do passado ou de países atrasados, recorda-se que depois do casamento do neto da Rainha de Inglaterra, em Abril de 2011, a sua mulher, foi colocar o bouquet de flores que havia usado na cerimónia, no túmulo ao Soldado Desconhecido.
Aqueles que morrem em operações ao serviço do seu país, não devem, não podem, ser confundidos com regimes ou simpatias partidárias. Aqueles que caíram no antigo Ultramar Português, bem assim como os que depois de 1991 morreram em países estrangeiros nas novas missões das Forças Armadas Portuguesas, eles e as suas Famílias, de todos, merecem público reconhecimento. Estavam lá em nome de Portugal.


Os feitos em combate na defesa do Ultramar, eram lembrados anualmente.
Cerimónia Militar do 10 de Junho em Lisboa.

Depois de Abril de 1974, a identificação do "10 de Junho" com a guerra em África levou os novos governantes (militares e civis) a cancelar a cerimónia militar, e as comemorações do "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas" (designação oficial desde 1978), foram "desmilitarizadas". Sendo o 10 de Junho a data da morte de Camões, embora este fosse apelidado de "defensor do colonialismo" por alguns, ainda assim, com a normalização política que se ia verificando, o seu nome foi mantido.
[...]

Miguel Silva Machado mmachado@operacional.pt
07 de Junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

ECCE HOMO

Venho com muito gosto, convidar-vos a visionar uma história de guerra por mim vivida há mais de 40 anos, em Tete, Moçambique, e que ainda está à espera de conhecer um epílogo: procuro um ex-guerrilheiro da Frelimo para lhe dar um abraço e devolver-lhe algo que lhe pertence.
Se gostarem conforme espero, nesse caso peço-vos por favor que divulguem este episódio. Há um conjunto de razões com raízes fundas em mim que me levam a fazer-te este pedido.
Uma dessas razões facilmente a descortinarão através do visionamento do vídeo publicado no Youtube.

Entretanto, permitam-me ainda chamar-vos a atenção para um detalhe relevante da história. Trata-se de uma imagem do referido guerrilheiro que segue em anexo. Eu não costumava levar máquina fotográfica para as operações, mas dessa vez aconteceu. Ainda bem, digo-o agora.



A imagem (para mim) é dolorosa por destapar um dramatismo não ficcionado. Se a tivesse de legendar, escreveria: Ecce homo - Eis o homem a quem devo o rádio e um abraço.
Grato pela vossa atenção, envio-vos um abraço de camaradagem.
Jaime Froufe Andrade.
Telem. 93 93 20 807

NOTICIAS DE MOCUBA

Visita realizada a Mocuba em 21.5.2011
Para os amigos de Mocuba:
Avenida principal com bom aspecto.
Avenida da associação ao ferroviário: Reparada e alcatroada
Associação Recreativa de Mocuba: Inoperacional basicamente.
O Bar e hoje um salão de "beleza".
A piscina (apenas o bar) funciona como discoteca as sextas e sábados. Haja fundos para recuperar o edifício principal e a piscina.
Apenas os campos de jogos não serão recuperados no âmbito deste projecto específico da res-ponsabilidade do executivo camarário.
Casa do Duarte Sacras: alugada a CMC (empresa italiana a recuperar a estrada MOCUBA / NAMPEVO).
Antiga residência do Alcides / Natália: Alugada a um libanês.
Manuel Nunes: O edifício esta dividido. 1 Parte pertence ao Banco Oportunidade e outra está com uma empresa de material de escritório.
O Refeba esta fechado.
O Bar Zambézia e o Barclays Bank.
O São Cristóvão continua a ser o que era mantendo exactamente o mesmo Layout.
Preserva o balcão e as ventoinhas de tecto do tempo do Liberato.
O Bar Mira esta fechado.
A Madal e agora a PEP (vende roupa em segunda mão).
A minha oficina e agora um mini centro comercial em fase de acabamento ainda.
O antigo barbeiro na Av. principal e a futura residência do responsável do INSS.
A zona do ferroviário (clube) e dominada por um mercado de rua.
A maioria das casas da avenida principal mantém um aspecto de conservação satisfatório.
Curiosamente as piores são na minha opinião exactamente a minha (ex) e a do padre Vitorino.
Existe uma ligação nova para o Lugela. Uma nova ponte. Com portagem.
O Sacras (serração) e dominado por um intenso mercado de rua.
A pensão Cruzeiro continua a ser o ponto de encontro habitual.
A Farmácia do Sr. Correia esta envelhecida. Muito.
As ruas paralelas a Av. principal e do lado direito de quem desce a Cidade estão a ser reparadas, estando previsto o (re) alcatroamento da avenida que vai das traseiras da escola Serpa Pinto ao estabelecimento e casa do Pereira Martins.
A Enfermeira Juliana esta ainda viva.
O Enfermeiro Jamilo tem 89 anos. Envia um forte e saudoso abraço a todos os Mocubenses par-ticularmente as pessoas próximas da sua geração.
O embaixador de Mocuba e hoje o Jaime XIMINBA.
Dirige uma serração que opera nas antigas instalações da Auto Mocuba (próximo da casa do barroco).
A entrada de Mocuba o Sr. Silva (ex residente no Gurue) constrói actualmente um resort.
A antiga padaria do justo e hoje uma Guest House.
O BNU e hoje o MILLENNIUM BIM.
Na esquina da Av. principal (frente ao Cruzeiro) esta a ser construido um predio de 2 andares.
Mais abaixo e na esquina da rua das agencias Mundiais esta a ser construída uma residencial com 2 andares.
A Rua da Junta Autónoma esta reparada.
O Colégio Amor de Deus tem um aspecto bom no exterior.
No posto Agrícola existe um instituto superior agrário. Bem dimensionado.
O antigo Hotel Mocuba esta a repintado. O Roxo e a cor dominante. Será uma loja de pecas auto.
Terminei esta pequena visita com o almoço num novo restaurante em frente a Associação. Este pequeno restaurante e da ANA DAMAS que tem agora 54 anos e partilhou o Colégio Amor de Deus com muitos Mocubenses da minha geração.
Eu escolhi um franco a cafreal muito bem "alcatroado" assado. Excessivamente assado, por vontade própria.
O Ximinba, comeu um Pembe (peixe do Licungo) e mamou 2 Medias 2 M. Bem geladas.
Esta minha visita teve a duração de 3 horas apenas. A Estrada Quelimane / Mocuba esta boa.
Um abraço
(Joca Simões - naturais e ex-residentes de Mocuba)

domingo, 5 de junho de 2011

ENCONTRO 18º DO BCAÇ 3843

Para os menos atentos, poder-se-ia pensar que o Encontro deste ano iria ser igual ao de anos anteriores, mas não. Tal não aconteceu e como estava previsto a participação este ano foi muito boa. Aos poucos vamos tendo a capacidade de conseguir trazer mais elementos para o ceio da família do BCaç3843. Deixo aqui estas fotos representativas do momento de confraternização, em que todos se preparavam para degostar os seus deliciosos farnéis.

 A foto de baixo indica o momento solene da Eucaristia, em que o nosso Capelão padre Gonçalves, celebrava uma missa em memória dos ausentes e presentes.
 
Na sua omilia o padre Gonçalves salientou o facto de alguns camaradas não poderem ter estado presentos por motivos de força maior. Um dos camaradas que eu esperava encontrar este ano, era o meu companheiro de quarto Artur Duro, mas infelizmente a esposa dele tinha falecido. Ao Duro desejo do fundo do coração que consiga ultrapassar esta fase menos boa da vida, de modo a que para o ano nos voltemos a encontrar. Eu sei bem quanto o Duro gostava da sua companheira.
 Aqui, um momento muito especial, em que o nosso Comandante Figueiredo, junto ao vitral a S.António, meditava e agradecia por nos ter sempre guiado pelo melhor caminho.

Depois, como não podia deixar de ser passámos à fase seguinte, a da degostação dos farnéis.
(para ver maior clicar sobre as fotos)
Nesta foto podemos ver a satisfação do Almendra, ao lado do seu bólide! Em conversa confidenciou-me que tem percorrido o País, indo a encontros, onde se juntam velhas relíquias de quatro rodas, claro.
Momento em que o nosso Comandante Figueiredo discursava, relatando mais um dos episódios da guerra. A emoção pairou por momentos sobre todos nós e houve mesmo quem se tivesse emocionado um pouco mais.
Depois foi a mensagem de despedida e o adeus, até ao próximo encontro.
Para terminar o BCaç 3843, agradece a participação de todos, na recolha dos bens alimentares, que foram entregues à Paróquia de Marrazes, através do nosso capelão, padre Gonçalves. Lá estaremos, enquanto tivermos força e ânimo para seguir em frente.
Até para o ano!

domingo, 8 de maio de 2011

ALTERAÇÃO LOCAL ENCONTRO 4-JUNHO-2011

ÚLTIMA HORA

Por motivos de ordem logistica, a Concentração para o Encontro de 04 de Junho de 2011, do B. Caç. 3843 CCS irá ser feita na QUINTA DA MATINHA em Marrazes, no mesmo local onde se realizaram em anos anteriores outras concentrações do BCaç 3843.

(clicar em cima da imagem para ver maior)

Esta alteração de local é mais vantajosa para todos nós devido ao facto de serem instalações mais cómodas e devidamente equipadas com instalações sanitárias, possibilitando também que o nosso convivio possa durar mais tempo.

Assim em vez dos ex-camaradas e suas familias se dirigirem à Igreja Paroquial de Marrazes, devem incidir a sua direcção para a Quinta da Matinha, onde estaremos todos esperando por vós.

Para os mais distraídos, juntamos um pequeno extrato do mapa com o percurso e a localização das instalações. Basta seguir o traçado e pronto, é muito perto do anterior local. BOA VIAGEM a todos e até breve.

A NÃO ESQUECER:
Aos ex-Combatentes que quiserem e puderem apoiar a Obra Social da Paróquia, com a doação de géneros alimentares (tal como se faz com o Banco Alimentar Contra a Fome), o nosso Capelão Padre Augusto Gonçalves, agradece.

FAZEM MUITA FALTA: Leite, achocolatados, açúcar, óleo, arroz, massas, feijão, grão, frutas de conservação longa, conservas de carnes tipo salsichas, conservas de peixe, conservas de legumes tipo ervilhas, conservas de frutas, chouriço, linguiças e outros bens alimentares.

NÃO FAZEM FALTA: Brinquedos, Roupas e Livros, pois a Obra Social tem uma pequena Biblioteca e tem havido doações de Roupas e Brinquedos.

domingo, 24 de abril de 2011

CHIPERA AINDA NA MEMÓRIA...

Do nosso companheiro Afonso Gil (da CCaç 2758) que esteve connosco em Chipera, recebi a fotos que a seguir publico. Certamente que alguns de vós se recordam deste "Famoso" companheiro, pois a nossa "amiga" Frelimo chegou a ter a cabeça dele a prémio, como alguns devem estar recordados. As fotos documentam alguns momentos marcantes do quotidiano de Chipera.
O Martins (fur) e o Gil. O de rádio na mão não sei quem era.
Batelão de Chicoa
A forte ligação entre os elementos do BCaç 3843 e a CCaç 2758 era notória nas muitas jantaradas que se faziam, sempre a pretexto de qualquer coisa. O importante de facto era a convivência e os fados do nosso amigo Tudela. Nesta foto recordo em cima da esq para a dta, o Afonso Gil, ?, Tudela, ?, ?, Eu. Em baixo o Jesus Matias e o meu grande amigo Sardinha, que nunca mais vi desde a sua saída de Chipera.
Uma das muitas ocasiões de festa domingueira. Uma batucada bem ritmada era sempre um bom pretexto para convivência salutar entre a população residente.
Quem não se lembra do majestoso embondeiro, onde tantas vezes da sua sombra desfrutámos, pelos inúmeros passeios em Chipera.

sábado, 23 de abril de 2011

40 ANOS DEPOIS

21 de Abril de 1971
Para muitos esta data, é mais uma entre muitas, mas para um ex-combatente do BCaç 3843, é algo de significativo, que por mais anos que viva jamais esquecerá.
Foi neste dia 21 de Abril de 1971, que o Batalhão de Caçadores 3843, embarcou rumo a terras de Moçambique, no paquete português "NIASSA".
Muitas foram certamente as fotografias tiradas na altura do embarque e muitas foram também as saudades que ficaram. Por isso estas imagens jamais serão apagadas da nossa memória.
Esta fotografia cedida pelo nosso camarada Castro Vera, demonstra claramente toda a expectativa daquele momento. Muitas lágrimas, uma enorme angústia naqueles que partiam e certamente uma enorme ansiedade no coração dos que ficavam.
A fotografia seguinte (já publicada) demonstra inequivocamente todo aquele ambiente de sofrimento que se vivia naquele momento.
Por mero acaso uns meses mais tarde, um camarada veio ter comigo e deu-me esta fotografia, onde pude ver claramente o ar resignado do meu pai que via partir o seu único filho homem, para uma guerra, da qual não sabia, tal como todos os outros, se o seu filho iria regressar um dia.

quinta-feira, 31 de março de 2011

QUARTEL DE MOCUBA

Hoje trago à lembrança de todos vós, estas imagens do quartel de Mocuba. Agradeço aos membros do grupo "Naturais e ex-residentes de Mocuba" por terem, mais uma vez partilhado estas fotos.
Como podem verificar são imagens da época pois o seu estado de conservação ainda se nota impecável.


Espero que gostem e que comentem se assim o entenderem.

sábado, 26 de março de 2011

MOCUBA NO CORAÇÃO

Recentemente aderi a um grupo de ex-residentes e amigos de Mocuba e inevitavelmente as memórias começam a surgir. Ao principio um bocado enferrujadas, pois a idade e o tempo já fizeram esquecer alguns pormenores. No entanto e como alguns de nós têm sempre aquela curiosidade em saber noticias e ver imagens das terras por onde passámos e compartilhámos momentos agradáveis, quer com camaradas quer com civis.
Por tudo isto aqui vou deixar algumas imagens que algumas pessoas ex-residentes ou naturais de Mocuba, partilharam comigo.

Na 1ª imagem, podemos ver a rua principal. Ao fundo o edificio onde estava a messe. Na 2ª imagem o edificio dos Correios.

Nesta imagem podemos ver a D. Beatriz, proprietária da "Palhota" onde muitos de nós íamos almoçar ou jantar. A D. Beatriz primava pela simpatia e pelo sorriso sempre franco.
Nestas imagens podemos ver o complexo da piscina e uma vista aérea da cidade nessa época.
Aqui uma imagem mais recente com as ruas já alcatroadas depois de um longo periodo de tempo em que as ruas mais pareciam as picadas de Chipera.

sábado, 19 de março de 2011

GUERRA DO ULTRAMAR? GUERRA COLONIAL!

Voltamos a este tema que nos é particularmente sensível: a Guerra Colonial. Não só por causa do discurso reaccionário de Aníbal Cavaco Silva, numa cerimónia de cariz conservador, organizada pela Liga dos Combatentes, comemorando os 50 anos do início da Guerra, mas sobretudo por ter recebido uma mensagem comovente de um camarada de tropa, que testemunhou um acontecimento significativo por nós vivido em 1972, em plena guerra em Chipera, Tete, Moçambique.

Transcrevo com a compreensão do autor: “ Recordo-me perfeitamente de no final de 1972 aparecer um avião com a polícia militar de luvas brancas e levar um furriel rebelde. Para evacuar feridos no mato, quase nunca havia meios aéreos (…) Ao longo de quase 40 anos fiz muitas reflexões sobre o tema da guerra colonial e aquela imagem do avião expressamente preparado para levar o camarada, nunca saiu do meu imaginário. Coloquei a mim próprio várias interrogações: para onde o teriam levado? O que lhe teria acontecido? Que mal teria feito? “

A Guerra Colonial foi um acontecimento dramático, trágico e traumatizante para mais de um milhão de jovens portugueses, obrigados a participar na repressão dos povos africanos de Angola, Guiné e Moçambique, em luta pela sua libertação e independência.

Mesmo para aqueles que ficaram na paz podre dos QG`s nas cidades, o relato dos acontecimentos com o cortejo de mortes, estropiamentos, massacres, torturas, e o conhecimento “in loco” da exploração desenfreada, maus tratos e repressão dos indígenas, não podia deixar ninguém indiferente.

Cavaco Silva ao apontar à juventude portuguesa actual, “ a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do ultramar”, coloca-se no campo dos saudosistas/ militaristas que fizeram das guerras em África um negócio de sangue, um modo de sobrevivência do regime fascista e ainda hoje sonham com o Império! …

Se na altura a obnubilação da consciência pela propaganda facciosa e patrioteira, podia explicar o conformismo e o carreirismo de alguns jovens milicianos e profissionais (mais que a adesão ideológica), a tomada de consciência com o 25 de Abril, levou a uma atitude crítica e de distanciamento, como refere C. Mourato, que volto a transcrever com a devida vénia: “ Felizmente que o 25 de Abril e os horizontes que abriu a quem quis aproveitar, deram-me respostas a estas interrogações. O jovem militar rebelde tinha, para a época, uma visão e uma cultura política mais avançada. O regime não o tinha conseguido formatar.”

Voltemos ao discurso do senhor presidente da República. Se algum comportamento pode ser relevado como sobressalto cívico, é o daqueles que se exilaram para não participarem na desdita de sufocar em sangue e morte o direito inalienável dos povos africanos à autodeterminação e independência.

No sentido de participação generosa deverá ser evocada sobretudo a coragem, o desprendimento e a determinação daqueles que sacrificaram a liberdade, a vida familiar e profissional, muitas vezes o próprio futuro, lutando por dentro do aparelho militarista para por fim ao desvario colonialista.

De forma determinante deverá ser enaltecida a coragem e o patriotismo dos jovens “capitães de Abril”, que interpretando o mais alto sentimento dignificador da Pátria vilipendiada, puseram fim, com risco e prejuízo da sua fazenda, ao regime colonialista-fascista de Salazar e Caetano.

Em última análise poderia ser valorizada a honra e coragem de dezenas de milhares de jovens africanos que morreram combatendo pela dignidade e libertação das suas terras.

Só estes jovens militares antifascistas e anti colonialistas dos anos 60 e 70 do século passado, têm direito à exemplificação histórica e a serem apontados, pela sua insubmissão e revolta, às modernas gerações que têm a responsabilidade de redimirem hoje a Pátria Portuguesa da desgraça neoliberal e capitalista em que os novos “vendilhões do templo e senhores da guerra” (continuados detentores do poder), a estão a afundar. Também com a responsabilidade do actual Presidente da República!

Em nome de todos aqueles que perseguidos, presos, torturados, despromovidos, humilhados, exilados, traumatizados, deram o melhor da sua generosidade idealista e revolucionária pelo fim da Guerra Colonial, e pela redenção da Pátria Portuguesa, exigimos a correcção da interpretação histórica reaccionária feita pelo presidente da República de Portugal.

Armando de Sousa Teixeira
(ex-cadete, ex-furriel e ex-soldado do Exército Português, com o nº 09420870, mobilizado em Moçambique, 1972/74)

quarta-feira, 9 de março de 2011

SOU O MOURATO E MORO NO ALENTEJO!

Olá amigos da guerra colonial em Moçambique:
Apresento-me:
Sou o Mourato, moro no Alentejo, em Portalegre e estive na guerra em Moçambique.


Fazia parte da C.CAC 4241/72 que esteve em CHIPERA, província de Tete desde Agosto de 1972 a Março de 1974. Depois fomos para a Gorongosa, aldeamento do Chitengo na província da Beira. Regressámos à metrópole em fins de Setembro de 1974, com 26 de meses de Ultramar em cima da pele. A razão deste e-mail tem o seguinte objectivo:
Ultimamente à medida que a febre da Internet avança, o tema da guerra colonial tem sido muito glosado havendo centenas de sites e artigos sobre o assunto. Os camaradas que por lá passaram, à medida que os cabelos vão branqueando (e caindo na maioria dos casos), são invadidos por memórias inolvidáveis das vicissitudes ali experimentadas.
A nós une-nos aquele espaço físico chamado aldeamento da CHIPERA, cercado de morros (aquele em frente era atroz - parecia que servia de tampão para não escaparmos dali) onde cada um à sua maneira entre 1968 e 1974 "estagiou" teve sonhos, foi invadido por sentimentos de desânimo, revolta, sofrimento.
Tenho alguma documentação e noticias actuais sobre a Chipera. E tenho também a história das unidades militares que estiveram em Chipera, com o nome e posto de todos os elementos que as compunham. E ainda a data e o nome da maioria das operações que cada uma fez. Tudo isto recolhido no arquivo militar do exército.
Foram sete as unidades militares que passaram por Chipera, a saber:
PRIMEIRA - Companhia de Cavalaria 2416 – Comissão entre 1968 e 1970
SEGUNDA-CCS do B.CAÇ 2875 – Comissão entre 1969 e 1971
TERCEIRA – CAÇ 2756 – Comissão entre 1970 e 1972
QUARTA – CCS do B.CAÇ 3843 – Comissão entre 1971 e 1973
QUINTA – C.CAÇ 4241 – Comissão entre 1972 e 1974
SEXTA – CCS do B.CAÇ 4810 – Comissão entre 1972 e 1974
SÉTIMA – CART 7258 – Comissão entre 1973 e 1974
Como disse tenho a história destas 7 unidades e o nome dos elementos que as compunham. À medida que vá digitalizando os documentos irei enviando para vós, assim como irei enviando algumas fotos e também alguns artigos sobre a realidade actual da Chipera.
E porque não juntarmos num dia nos célebres convívios de ex-combatentes elementos representativos das 7 unidades que por lá passaram, cada um contando a sua experiência da época.
Fiquem a "matutar" na ideia e deem feed-back. Estão autorizados a darem o meu mail aos camaradas que conheçam para eles me contactarem por mail e eu aumentar a lista.
Afinal com as novas tecnologias tanto trabalho dá enviar para 1 como para 100.
Além disso, poderemos dizer como o nosso épico do século XVI também a propósito das questões ultramarinas, agora com os novos instrumentos tecnológicos:
Mailando, espalharei por toda a parte
Se a tanto me ajudar o engenho e a arte
heheheheehheheheheheheh (grande herói de pacotilha, eu até era aramista)
Um abraço cá do Mourato alentejano

José Abílio Mourato
Portalegre