terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

BCAÇ 4810

Do ex-camarada António Marquês recebi a seguinte mensagem:

Sou o furriel miliciano de armamento do BCaç 4810 que foi substituir o BCaç 3843 em Out. de 1972, em Chipera. Tive conhecimento do teu blogue apenas e infelizmente hoje, através de correio encaminhado pelo Alf. Leite da 4241, vindo, por sua vez, do Mourato, mas já o divulguei por 8 camaradas que também passaram por Chipera e Chiringa. Como é natural, fiquei muito contente por saber da existência de um repositório de imagens e palavras que retratam o nosso passado comum numa guerra que fomos obrigados a fazer em nome de interesses que não eram os nossos e que, para nós, teve apenas um lado bom: a criação de profundas amizades que o tempo, ao contrário do que é habitual, foi sedimentando. Obrigado pelo teu esforço e tempo perdido na criação e manutenção desse arquivo de memó-rias na forma do BCaç 3843.

Como é evidente, não tenho a mais pequena réstia de memória de ti nem de qualquer outro camarada da CCS do vosso batalhão. Nem tão pouco do furriel que me passou o armamento. Foram 3 dias (se não me engano) de sobre-posição e nós, os maçaricos, estávamos mais preocupados em olhar os morros de onde nos disseram haver tantos perigos, do que propriamente em fixar rostos ou nomes.

Não sei se vocês têm feito alguns almoços de confraternização. Nós começámos em 82 e ainda não parámos. O próximo será em Lisboa, sempre por volta da data de 5 de Outubro, dia do nosso embarque para lá.

Aproveito para te mandar alguma coisa que tem Chipera, e a nossa estadia por lá, como ponto de partida. A saber: capa do livro que publiquei em 1981, juntamente com um jornalista do DL e um sargento “pára” deficiente, que acolheu os depoimentos de cerca de 20 colegas meus de trabalho da altura, todos com passagem pela guerra colo-nial. Algumas cópias de registos do "diário" que escrevi em Chipera, que está a ser publicado por um jornal local aqui do Seixal. Por fim, algumas fotos que mostram Chipera (entre elas vais rever o pobre Mafunga com as suas latas de recolha dos restos do refeitório das praças - triste imagem de 400 anos de civilização) e a vivência da malta que lá estava obrigada.


 
Mais uma vez, o meu obrigado.
Recebe um abraço do Marquês.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

DO OUTRO LADO DO TEMPO

Mais umas imagens do outro lado do tempo. E que tempo esse!
A saudosa terra que nos traz à memória alegria e tristeza, amor e raiva e uma sentimento de revolta e de mágoa. Não podemos jamais esquecer aquele país, aquelas gentes, aqueles cheiros da terra molhada e prenhe de acácias, e bungavílias. Quão enebriantes eram aqueles aromas que só Mãe-Africa possui?
Matai as saudades e percam uma horas na reminiscencia do outro lado dos tempos. Relembrem o que de melhor tem a vossa memória e chorem as lágrimas que guardaram na alma durante este tempo de ausencia. Aliviam podem crer...


Tete e Cabora Bassa - no outro lado do tempo
Enviado por malhanga. - Descubra vídeos sobre pessoas, família e amigos.


Quelimane - no outro lado do tempo
Enviado por malhanga. - Descubra vídeos sobre pessoas, família e amigos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

AINDA SE RECORDAM?


Eram de um verde selva, lindas e brilhantes! Sempre que tinha uma era dia de festa! Recordo com emoção o dia em que o 1º Sargento Careto, sobre a sua secretária tinha "montanhas" de notas para distribuir pelos soldados como forma de pagamento do Pré. Nesse dia a festa durava até a luz se apagar.

Nesta foto o 1º Sargento Careto e eu.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A VOZ DA REVOLUÇÃO

Do Blog do meu amigo José Louro, captei estas imagens, sempre notórias, visto fazerem referência não só ao tempo como à zona. Consta no jornal da Frelimo algumas actividades referenciadas no distrito de TETE, zona de Chicoa e proximidades. Pela sua importância enquanto documento histórico aqui quero agradecer ao José Louro pela cedência destas imagens, que podem ser vistas na integra no seguinte endereço: http://o-lado-oposto.blogspot.com/


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

HÁ FACTOS QUE JAMAIS SE ESQUECEM.

Olá, amigo Pessa
Estas imagens revelam bem a dureza daquela vida e a resistência física e psicológica que muitas vezes era necessária para a enfrentar.
Não fiquei naquela maldita guerra ( que muitos querem branquear) por um triz. Um dia, depois de um forte tiroteio na picada, perto do aldeamento da Chiboea, tive de pedir ajuda ao enfermeiro porque o sangue que me corria da cabeça era muito. Meu Furriel, disse-me ele, foi uma bala que o atingiu de raspão e lhe queimou uma parte do couro cabeludo. Lá veio o helicóptero e lá fui mais uma vez parar ao hospital de Tete. Enfim, coisas que nunca mais esquecem.
Um abraço
Afonso Gil
Cenas da guerra:

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O MAJOR EMIDIO VICENTE

Fotos tiradas pelo Major Vicente algures em África, num daqueles momentos de instinto. A primeira foi premiada, e é demonstrativa do poder real da guerra, não deixa dúvidas a quem lá esteve que o perigo espreitava a cada momento.
Parabéns Maj. Vicente e obrigado por partilhar connosco esses momentos.








segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

LÁ LONGE ONDE O SOL CASTIGA MAIS

"Onde o sol castiga mais".

"Quem nunca viu,
nem nunca andou
a combater
não dá valor
nem sabe o que é sofrer
ter de matar, para não morrer
Saber sofrer sem chorar
saber chorar sorrindo
Lá longe
Onde o Sol castiga mais
não há suspiros nem ais
Há coragem e dor
e à noite com os olhos postos nos Céus
rogamos ao nosso Deus que nos dê a Salvação.
E quando alguèm do nosso grupo cai
ainda piora, ainda sofremos mais
Faz-no sentir,faz-no pensar:
talvez da pròxima vez,
seja eu quem vá tombar".
Letra e Música de Paco Bandeira.
Uma homenagem aos combatentes Portugueses que cairam em terras do Ultramar.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

CONSTRUÇÃO DE UM ABRIGO

A construção de um abrigo anti-morteiro é uma questão muito relevante em contextos de conflito e segurança, especialmente em áreas onde há risco de ataques com armas de artilharia ou morteiros. Esses abrigos são projetados para proteger os indivíduos de explosões e fragmentos resultantes de tais ataques. Aqui estão alguns aspectos importantes a considerar na construção de um abrigo anti-morteiro:
1. Localização
A escolha do local é fundamental. 
O abrigo deve ser construído em uma área que minimize a exposição a áreas de impacto previsíveis. Idealmente, deve estar afastado de estruturas que possam ser alvos diretos.
2. Materiais
Os materiais utilizados na construção devem ser capazes de suportar impactos e explosões. Geralmente, recomenda-se o uso de:
  • - Betão armado: Oferece alta resistência e durabilidade.
  • - Aço: Pode ser utilizado em combinação com betão para aumentar a resistência.
  • - Terra e madeira: Camadas de madeira e terra podem ser usadas como amortecedores naturais contra explosões.
3. Estrutura
A estrutura do abrigo deve ser projetada para suportar pressões extremas e ondas de choque. 
4. Acessos
As entradas devem ser projetadas para minimizar a exposição. Portas blindadas e, se possível, um sistema de entrada em ângulo (como um corredor) podem ajudar a proteger os ocupantes.
5. Ventilação e Conforto
Embora a segurança seja a prioridade, a ventilação adequada é crucial para garantir a sobrevivência em situações prolongadas. Sistemas de ventilação que possam ser selados durante um ataque são recomendados.
6. Equipamentos e Suprimentos
Um abrigo anti-morteiro deve estar equipado com suprimentos essenciais, como água, alimentos não perecíveis, kits de primeiros socorros e meios de comunicação para alertar sobre a situação externa.
7. Treinamento e Planos de Emergência
Além da construção física, é importante que os ocupantes sejam treinados sobre como agir em caso de um ataque. Planos de emergência devem ser estabelecidos e praticados regularmente.
8. **Manutenção
A manutenção regular do abrigo garante que ele permaneça em boas condições e pronto para uso em caso de necessidade.
Considerações Finais
A construção de um abrigo anti-morteiro é uma abordagem prática para a proteção em situações de risco. No entanto, a prevenção de conflitos e a busca por soluções pacíficas são sempre as melhores estratégias a longo prazo.
Durante a guerra do Ultramar foram muitos os abrigos que se construíram com a força e o suor dos soldados portugueses.
Na foto, da Esqª p/Dtª : Miguel (bate-chapas); Vitor Vera (condutor) e Veloso (mecânico).

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ENCONTRO DO BCAÇ 3843 - 1995 - 2ª parte

Fotos enviadas pelo nosso camarada Braz Lopes e que referem o Encontro de 1995. (2ª parte)
 
 
 
 
 
 
 

ENCONTRO DO BCAÇ 3843 - 1995 - 1ª parte

Fotos enviadas pelo nosso camarada Braz Lopes e que referem o Encontro de 1995. (1ª parte)
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O BRAZ LOPES

Do nosso companheiro Braz Lopes, recebemos as fotos que se seguem.

O ABRAÇOS PALMA

O nosso companheiro Abraços Palma enviou estas fotos, depois de mais uma visita ao baú de recordações da tropa.
Na 1ª fotografia segundo o Palma, é só malta de Serpa (o Palma, Massapina e o saudoso Amarelinho Parelho).
Depois aparece o Palma com um ar todo enternecedor com uma "Muana" ao colo.

Por último da esquerda para a direita, estão o Lúcio, o Palma e o Marques (bacano).


ENCONTRO 18º DO BCAÇ 3843

ENCONTRO DA AMIZADE
Quando tudo apontava para que mais uma vez não pudesse estar presente, eis que a situação se inverte e pude assistir a mais um fabuloso encontro de amigos e camaradas do meu BCaç 3843.

Muitos de vocês conheceram-me enquanto militar, companheiro de armas, sempre pronto a ajudar os mais necessitados mesmo que isso implicasse sacrifícios. Também muitos de vós gozaram comigo belos momentos de camaradagem. São esses momentos que importa aqui recordar pois na vida apesar de alguns pensarem o contrário é o presente que interessa, o passado ficou lá atrás (como diz o poeta) e é deste presente que agora falo. Foi com enorme satisfação que reencontrei alguns dos meus queridos camaradas que comigo partilharam grandes momentos. Apesar de não me recordar dos nomes de alguns (tive de perguntar na altura quem eram), pois o tempo vai apagando aqueles traços que recordávamos, apesar disso tudo foi bastante agradável poder revê-los quase todos. Tive imensa pena que muitos não pudessem estar presentes, certamente por motivos maiores, mas estou convencido que para o próximo encontro não faltarão.

Como podem ver pelas fotos o grupo vai engrossando (no bom sentido, claro). Algumas barrigas, algumas carecas, enfim anos a passarem por todos nós.

O Antunes (cozinheiro) veio do Canadá para estar presente este ano. Escusado será dizer que adorou a confraternização. Levou a filha e o genro e o neto. O 1º Almendra, grande companheiro de paródias também lá esteve. O Nobre, O Tavares que eu já não via há muitos anos e que continua com o mesmo estilo de pessoa. Gostei muito de o ver. O Horta que veio do Algarve, O Ferreira que veio de Penafiel e a quem eu dei um abraço do tamanho do céu, grande amigo. O Palma que este ano ficou em minha casa pois veio de véspera do Alentejo. O 1º Vaz cada vez mais jovem, o "nosso" Major Vicente também esteve presente. Está com óptimo aspecto. É impressionante como para algumas pessoas os anos parecem não passar por elas.

Vídeo do XXXVII Aniversário
dos Ex-Combatentes do Batalhão de Caçadores nº 3843 CCS.

 E claro que não podia deixar de falar nos organizadores deste evento que como todos sabem são o nosso Capelão Padre Gonçalves, o incansável Karim, que é um poço de vontade e participação, o Alferes Nicolau. A encabeçar toda esta organização está naturalmente o nosso comandante Figueiredo, que este ano apesar da idade já começar a dar mostras de pesar um pouco, ainda mostrou como se fala às tropas, com um discurso repleto de emoção e forte sentido de unidade.

A todos quero deixar uma palavra de agradecimento pelos agradáveis momentos que passámos juntos e certamente ainda iremos repetir por muitos anos. Muito Obrigado a todos.


(fotos do autor)
(fotos de Magid Silva Karin Ahmad)

Já depois da publicação deste breve apontamento sobre o nosso encontro, recebi via Facebook uma mensagem de Daniel Pedro Silva, que transcrevo:

"O meu pai foi membro deste batalhão. Esteve em Chipera, na provincia de Tete e Mocuba, no distrito de Quelimane. Gostaria de obter o contacto de colegas dele, no sentido de lhe prestar uma homenagem . Felizmente, está bem, de saude e gostaria de o fazer reviver os momentos bons que teve, ironicamente, no meio de uma guerra..."
Naturalmente que respondi de imediato o seguinte:
Caro Daniel, obrigado pela mensagem. O Batalhão tem um Blog onde facilmente poderá procurar e reviver alguns momentos. No passado dia 1 de Maio tivemos mais um encontro. Gostaria de saber o nome do seu pai para podermos entrar em contacto com ele, pois muitas cartas nos são devolvidas por morada, ou incompleta ou desconhecimento do destinatário. Mais uma vez obrigado disponha sempre. No Blog certamente que o seu pai irá reconhecer muitos dos antigos camaradas, http://bcac3843.blogspot.com/