quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ELES VÃO APARECENDO, AOS POUCO...

O acaso tem destas coisas. Outro dia li uma mensagem, que tinha caído na minha caixa de correio electrónico e que muito me agradou. Por vezes pensamos que já nada nos surpreende mas a vida encarrega-se de nos trocar as voltas. Foi o caso desta mensagem que passo a transcrever para todos vós.

"Olá amigo Victor, aliás meu furriel Pessa.
Foi um prazer encontrar alguém que esteve durante 2 anos praticamente juntos. Ninguém imagina a minha alegria quando procurava qualquer coisa no Google, quando de repente apareceu o "meu" de nós todos BCac3843, companhia CCS.
Chorei de alegria pois era tão grande era a emoção.
Já tinha tentado saber se alguém se ocupava dos encontros de convívio entre amigos e não consegui.
Chega de treta.
Sou o Soldado Condutor NUNO NASCIMENTO COELHO, sou natural de Valado dos Frades, Concelho da Nazaré.
Desde Setembro de 1973, altura em que emigrei para França, onde tenho permanecido já lá vão 38 anos.
Hoje estou reformado, faço mais ou menos 4 a 5 meses em Portugal e o resto em França.
Lembras-te de uma vez estarmos de serviço na ronda à cidade de Mocuba, eu estava de condutor dia e tu pediste-me para te deixar conduzir o jipe. Eu cheio de medo que fosses apanhado por algum oficial.
Havemos de nos encontrar um dia para matar as saudades desse tempo.
Foi com imenso prazer que vi as fotos de muitos camaradas conhecidos da altura.
Hoje estamos mais velhos, entre outro, o nosso Maj. Figueiredo nosso cdt. Maj. Vicente, Cap. Rodrigues, o nosso capelão, 1° Careto, Sarg. Vaz, e todos os outros que estavam nas fotos do blog.
Bem hajam essas pessoas que foram mais longe em fazerem este blog."




Como tu me pediste aqui vão 3 fotos tiradas em Chipera.
O Karim já me ligou ontem, reconheci-lhe a voz, mas talvez também por saber que tu lhe ias dar os meus dados. Mais uma vez as lágrimas vieram aos olhos assim como ontem quando recebi o teu mail.
Vê lá se as duas primeiras fotos se te dizem qualquer coisa, visto na terceira estou aos pés do cmdt, Figueiredo. Abraço

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

QUEM É VIVO... SEMPRE APARECE! (1)

Lá diz o ditado português. Este ano tive a agradável surpresa de 40 anos passados falar com dois companheiros de tropa. O Branca do Rosário e o Sardinha da 2758.
Quanto ao Branca do Rosário foi muito engraçado, pois foi através da esposa dele que o contacto foi efectuado. Depois de umas tentativas de pesquisa sobre o BCaç3843, eis que acertam no alvo e dá de caras com o Blog. Imagino a surpresa. Daí a contactarem-me foi um passo. Claro que entrei de imediato em contacto com o Branca do Rosário e estivemos à conversa durante mais de 30 minutos. Está em Évora. Depois dos abraços, ficou a promessa que para o ano irá ao nosso encontro, onde ele fôr.


Quanto ao Sardinha, a situação foi diferente.
Estava eu muito bem repimpado ao sol, deitado na minha toalha azul escura, quando toca o telefone (está sempre ligado). A pessoa do outro lado começou por perguntar se eu tinha estado em Chipera, etc, etc. e se conhecia um tal Sardinha, de que falo num dos posts no Blog.
Claro que depois desta conversa toda fiquei a saber quem era a pessoa. Tratava-se de um ex camarada, que também tinha estado em Chipera e que fazia parta de uma compamhia que nos tinha ido render.
Como ainda está ao serviço e tem possibilidade de localização de pessoas, depressa encontrou o Sardinha.
Após confirmação com o próprio, telefona-me e diz-me que tinha encontrado o Sardinha e se eu queria falar com ele? Foi com enorme alegria que telefonei depois ao meu amigo Sardinha, que está em Lisboa e claro estivémos na conversa, bastante tempo. Ficou no ar um encontro, pois Lisboa é aqui ao lado.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

10 de JUNHO

Portugal é como sabemos um País dado a originalidades e onde não raras vezes, somos confrontados com situações difíceis de explicar pela falta de razoabilidade. Acontece em muitos aspectos da nossa vida como País e também na área "politico-militar". Agora que se aproxima o "10 de Junho" vamos tentar explicar [...] como aqui se chegou.

No período da Guerra do Ultramar, o "10 de Junho" era uma jornada de exaltação patriótica, militares e seus familiares eram homenageados.

No período que antecedeu o 25 de Abril de 1974, a 10 de Junho, mais concretamente a partir de 1963 – dois anos depois do inicio da luta anti-subversiva em Angola –, realizava-se uma cerimónia militar, na Praça do Comércio / Terreiro do Paço, em Lisboa. Foi até 1973 o ponto alto das comemorações do Dia de Camões, de Portugal e da Raça, Feriado Nacional, e ocasião para homenagear os portugueses que combatiam em África. Esta enorme parada militar ficou na memória de muitos uma vez que ali se impunham condecorações por feitos em combate. Às unidades que se haviam distinguido, aos militares de todas as patentes quer aqueles que cumpriam o serviço militar obrigatório quer os dos quadros permanentes e aos familiares daqueles que morrendo no campo de batalha, recebiam as distinções a título póstumo.
Doloroso para uns, motivador para outros, era um dia de exaltação patriótica.
Semelhante aliás ao que a generalidade dos países fazem, não faltando exemplos do reconhecimento público àqueles que combatem pelo seu país e aos seus familiares. Para aqueles que julgam ser isso coisa do passado ou de países atrasados, recorda-se que depois do casamento do neto da Rainha de Inglaterra, em Abril de 2011, a sua mulher, foi colocar o bouquet de flores que havia usado na cerimónia, no túmulo ao Soldado Desconhecido.
Aqueles que morrem em operações ao serviço do seu país, não devem, não podem, ser confundidos com regimes ou simpatias partidárias. Aqueles que caíram no antigo Ultramar Português, bem assim como os que depois de 1991 morreram em países estrangeiros nas novas missões das Forças Armadas Portuguesas, eles e as suas Famílias, de todos, merecem público reconhecimento. Estavam lá em nome de Portugal.


Os feitos em combate na defesa do Ultramar, eram lembrados anualmente.
Cerimónia Militar do 10 de Junho em Lisboa.

Depois de Abril de 1974, a identificação do "10 de Junho" com a guerra em África levou os novos governantes (militares e civis) a cancelar a cerimónia militar, e as comemorações do "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas" (designação oficial desde 1978), foram "desmilitarizadas". Sendo o 10 de Junho a data da morte de Camões, embora este fosse apelidado de "defensor do colonialismo" por alguns, ainda assim, com a normalização política que se ia verificando, o seu nome foi mantido.
[...]

Miguel Silva Machado mmachado@operacional.pt
07 de Junho de 2011