quarta-feira, 9 de março de 2011

SOU O MOURATO E MORO NO ALENTEJO!

Olá amigos da guerra colonial em Moçambique:
Apresento-me:
Sou o Mourato, moro no Alentejo, em Portalegre e estive na guerra em Moçambique.


Fazia parte da C.CAC 4241/72 que esteve em CHIPERA, província de Tete desde Agosto de 1972 a Março de 1974. Depois fomos para a Gorongosa, aldeamento do Chitengo na província da Beira. Regressámos à metrópole em fins de Setembro de 1974, com 26 de meses de Ultramar em cima da pele. A razão deste e-mail tem o seguinte objectivo:
Ultimamente à medida que a febre da Internet avança, o tema da guerra colonial tem sido muito glosado havendo centenas de sites e artigos sobre o assunto. Os camaradas que por lá passaram, à medida que os cabelos vão branqueando (e caindo na maioria dos casos), são invadidos por memórias inolvidáveis das vicissitudes ali experimentadas.
A nós une-nos aquele espaço físico chamado aldeamento da CHIPERA, cercado de morros (aquele em frente era atroz - parecia que servia de tampão para não escaparmos dali) onde cada um à sua maneira entre 1968 e 1974 "estagiou" teve sonhos, foi invadido por sentimentos de desânimo, revolta, sofrimento.
Tenho alguma documentação e noticias actuais sobre a Chipera. E tenho também a história das unidades militares que estiveram em Chipera, com o nome e posto de todos os elementos que as compunham. E ainda a data e o nome da maioria das operações que cada uma fez. Tudo isto recolhido no arquivo militar do exército.
Foram sete as unidades militares que passaram por Chipera, a saber:
PRIMEIRA - Companhia de Cavalaria 2416 – Comissão entre 1968 e 1970
SEGUNDA-CCS do B.CAÇ 2875 – Comissão entre 1969 e 1971
TERCEIRA – CAÇ 2756 – Comissão entre 1970 e 1972
QUARTA – CCS do B.CAÇ 3843 – Comissão entre 1971 e 1973
QUINTA – C.CAÇ 4241 – Comissão entre 1972 e 1974
SEXTA – CCS do B.CAÇ 4810 – Comissão entre 1972 e 1974
SÉTIMA – CART 7258 – Comissão entre 1973 e 1974
Como disse tenho a história destas 7 unidades e o nome dos elementos que as compunham. À medida que vá digitalizando os documentos irei enviando para vós, assim como irei enviando algumas fotos e também alguns artigos sobre a realidade actual da Chipera.
E porque não juntarmos num dia nos célebres convívios de ex-combatentes elementos representativos das 7 unidades que por lá passaram, cada um contando a sua experiência da época.
Fiquem a "matutar" na ideia e deem feed-back. Estão autorizados a darem o meu mail aos camaradas que conheçam para eles me contactarem por mail e eu aumentar a lista.
Afinal com as novas tecnologias tanto trabalho dá enviar para 1 como para 100.
Além disso, poderemos dizer como o nosso épico do século XVI também a propósito das questões ultramarinas, agora com os novos instrumentos tecnológicos:
Mailando, espalharei por toda a parte
Se a tanto me ajudar o engenho e a arte
heheheheehheheheheheheh (grande herói de pacotilha, eu até era aramista)
Um abraço cá do Mourato alentejano

José Abílio Mourato
Portalegre

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

BCAÇ 4810

Do ex-camarada António Marquês recebi a seguinte mensagem:

Sou o furriel miliciano de armamento do BCaç 4810 que foi substituir o BCaç 3843 em Out. de 1972, em Chipera. Tive conhecimento do teu blogue apenas e infelizmente hoje, através de correio encaminhado pelo Alf. Leite da 4241, vindo, por sua vez, do Mourato, mas já o divulguei por 8 camaradas que também passaram por Chipera e Chiringa. Como é natural, fiquei muito contente por saber da existência de um repositório de imagens e palavras que retratam o nosso passado comum numa guerra que fomos obrigados a fazer em nome de interesses que não eram os nossos e que, para nós, teve apenas um lado bom: a criação de profundas amizades que o tempo, ao contrário do que é habitual, foi sedimentando. Obrigado pelo teu esforço e tempo perdido na criação e manutenção desse arquivo de memó-rias na forma do BCaç 3843.

Como é evidente, não tenho a mais pequena réstia de memória de ti nem de qualquer outro camarada da CCS do vosso batalhão. Nem tão pouco do furriel que me passou o armamento. Foram 3 dias (se não me engano) de sobre-posição e nós, os maçaricos, estávamos mais preocupados em olhar os morros de onde nos disseram haver tantos perigos, do que propriamente em fixar rostos ou nomes.

Não sei se vocês têm feito alguns almoços de confraternização. Nós começámos em 82 e ainda não parámos. O próximo será em Lisboa, sempre por volta da data de 5 de Outubro, dia do nosso embarque para lá.

Aproveito para te mandar alguma coisa que tem Chipera, e a nossa estadia por lá, como ponto de partida. A saber: capa do livro que publiquei em 1981, juntamente com um jornalista do DL e um sargento “pára” deficiente, que acolheu os depoimentos de cerca de 20 colegas meus de trabalho da altura, todos com passagem pela guerra colo-nial. Algumas cópias de registos do "diário" que escrevi em Chipera, que está a ser publicado por um jornal local aqui do Seixal. Por fim, algumas fotos que mostram Chipera (entre elas vais rever o pobre Mafunga com as suas latas de recolha dos restos do refeitório das praças - triste imagem de 400 anos de civilização) e a vivência da malta que lá estava obrigada.


 
Mais uma vez, o meu obrigado.
Recebe um abraço do Marquês.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

DO OUTRO LADO DO TEMPO

Mais umas imagens do outro lado do tempo. E que tempo esse!
A saudosa terra que nos traz à memória alegria e tristeza, amor e raiva e uma sentimento de revolta e de mágoa. Não podemos jamais esquecer aquele país, aquelas gentes, aqueles cheiros da terra molhada e prenhe de acácias, e bungavílias. Quão enebriantes eram aqueles aromas que só Mãe-Africa possui?
Matai as saudades e percam uma horas na reminiscencia do outro lado dos tempos. Relembrem o que de melhor tem a vossa memória e chorem as lágrimas que guardaram na alma durante este tempo de ausencia. Aliviam podem crer...


Tete e Cabora Bassa - no outro lado do tempo
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Quelimane - no outro lado do tempo
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