sábado, 19 de março de 2011

GUERRA DO ULTRAMAR? GUERRA COLONIAL!

Voltamos a este tema que nos é particularmente sensível: a Guerra Colonial. Não só por causa do discurso reaccionário de Aníbal Cavaco Silva, numa cerimónia de cariz conservador, organizada pela Liga dos Combatentes, comemorando os 50 anos do início da Guerra, mas sobretudo por ter recebido uma mensagem comovente de um camarada de tropa, que testemunhou um acontecimento significativo por nós vivido em 1972, em plena guerra em Chipera, Tete, Moçambique.

Transcrevo com a compreensão do autor: “ Recordo-me perfeitamente de no final de 1972 aparecer um avião com a polícia militar de luvas brancas e levar um furriel rebelde. Para evacuar feridos no mato, quase nunca havia meios aéreos (…) Ao longo de quase 40 anos fiz muitas reflexões sobre o tema da guerra colonial e aquela imagem do avião expressamente preparado para levar o camarada, nunca saiu do meu imaginário. Coloquei a mim próprio várias interrogações: para onde o teriam levado? O que lhe teria acontecido? Que mal teria feito? “

A Guerra Colonial foi um acontecimento dramático, trágico e traumatizante para mais de um milhão de jovens portugueses, obrigados a participar na repressão dos povos africanos de Angola, Guiné e Moçambique, em luta pela sua libertação e independência.

Mesmo para aqueles que ficaram na paz podre dos QG`s nas cidades, o relato dos acontecimentos com o cortejo de mortes, estropiamentos, massacres, torturas, e o conhecimento “in loco” da exploração desenfreada, maus tratos e repressão dos indígenas, não podia deixar ninguém indiferente.

Cavaco Silva ao apontar à juventude portuguesa actual, “ a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do ultramar”, coloca-se no campo dos saudosistas/ militaristas que fizeram das guerras em África um negócio de sangue, um modo de sobrevivência do regime fascista e ainda hoje sonham com o Império! …

Se na altura a obnubilação da consciência pela propaganda facciosa e patrioteira, podia explicar o conformismo e o carreirismo de alguns jovens milicianos e profissionais (mais que a adesão ideológica), a tomada de consciência com o 25 de Abril, levou a uma atitude crítica e de distanciamento, como refere C. Mourato, que volto a transcrever com a devida vénia: “ Felizmente que o 25 de Abril e os horizontes que abriu a quem quis aproveitar, deram-me respostas a estas interrogações. O jovem militar rebelde tinha, para a época, uma visão e uma cultura política mais avançada. O regime não o tinha conseguido formatar.”

Voltemos ao discurso do senhor presidente da República. Se algum comportamento pode ser relevado como sobressalto cívico, é o daqueles que se exilaram para não participarem na desdita de sufocar em sangue e morte o direito inalienável dos povos africanos à autodeterminação e independência.

No sentido de participação generosa deverá ser evocada sobretudo a coragem, o desprendimento e a determinação daqueles que sacrificaram a liberdade, a vida familiar e profissional, muitas vezes o próprio futuro, lutando por dentro do aparelho militarista para por fim ao desvario colonialista.

De forma determinante deverá ser enaltecida a coragem e o patriotismo dos jovens “capitães de Abril”, que interpretando o mais alto sentimento dignificador da Pátria vilipendiada, puseram fim, com risco e prejuízo da sua fazenda, ao regime colonialista-fascista de Salazar e Caetano.

Em última análise poderia ser valorizada a honra e coragem de dezenas de milhares de jovens africanos que morreram combatendo pela dignidade e libertação das suas terras.

Só estes jovens militares antifascistas e anti colonialistas dos anos 60 e 70 do século passado, têm direito à exemplificação histórica e a serem apontados, pela sua insubmissão e revolta, às modernas gerações que têm a responsabilidade de redimirem hoje a Pátria Portuguesa da desgraça neoliberal e capitalista em que os novos “vendilhões do templo e senhores da guerra” (continuados detentores do poder), a estão a afundar. Também com a responsabilidade do actual Presidente da República!

Em nome de todos aqueles que perseguidos, presos, torturados, despromovidos, humilhados, exilados, traumatizados, deram o melhor da sua generosidade idealista e revolucionária pelo fim da Guerra Colonial, e pela redenção da Pátria Portuguesa, exigimos a correcção da interpretação histórica reaccionária feita pelo presidente da República de Portugal.

Armando de Sousa Teixeira
(ex-cadete, ex-furriel e ex-soldado do Exército Português, com o nº 09420870, mobilizado em Moçambique, 1972/74)

7 comentários:

  1. Aníbal Cavaco Silva, foi ao tempo mobilizado para Moçambique.

    Adivinhem para onde ?
    Pois é.... Como dizia o outro, foi colocado em Lourenço Marques, com a sua digníssima esposa, que arranjou logo emprego a dar aulas naquela cidade.

    Anos mais tarde disse que tinha combatido em África.

    Deste Digníssimo Senhor estou farto.

    São de exemplos destes, que resultou a famosa geração "rasca",e os BPN's e quejandos.

    A minha solidariedade para todos os Armandos Teixeiras.

    Francisco Dores
    Ex.Fur.Mil CCAÇ 3554/BCAÇ3886-72/74 Moçambique

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  2. Subscrevo integralmente as palavras do Francisco Dores publicadas no "post" anterior.
    João Ramos
    Ex-Fur.Milº 2ªCCaç/BCaç 4810/72

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  3. estes comentarios só podem ser de traidores daqueles que lá deixaram a vida se calhar lá morreram colegas desses abutres vermelhos ao serviço da rss não foram verdadeiros potugueses que deixaram de lado as suas idiliogias para sevirem a pátria falaram das mortes dos martires africanos mas dos seus canaradas nem uma palavra de comforto seus abutres se calhar agora são aqueles que estão a sugar os contribuintes pois eu sou um ex combatente da guiné enfermeiro que dei o meu melhor pelos camaradas cpmbatentes brancos e africanos que lotaram ao nosso lado um desses africanos que eu tive a honrra de salvar e que muintos desses bravos africanos que estiveram do nosso lado foram assacinados cruelmente por esses teus bravos africanos independentes e para que serviu essa independencia se agora é que eles são verdadeiros escravos agora estão melhor seu chulo de merda agora é que devias lá estar mas passares o mesmo que eles passam mas tu deves de ser algum desses vermelhos que estão a mamar na gamela e sse não fossem alguns patriotas hoje estariamos igual que os cubanos mas pouco melhor estamos enquanto houverno governo essescovardes mercenários traidores e desertores deviam ter vergonha por causa desses covardes morreram muintos inocentes depois da independenciae agora uma terra como angola tão rica mas é só para alguns que o resto só queriam é que nós lá voltassemos luanda era uma cidade para todos agora é só para os xulos que servem o regime

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  4. COMO ESTE HA AUS MILHARES e a quem os apoiam

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  5. Naquele fim de tarde de Domingo, a Chicoa, um local inóspito e isolado na margem do Zambeze no perímetro de segurança da barragem de Cahora Bassa, acalmava do terrível calor que impiedosamente se abatera sobre nós. Aproximava-se o fim de um dia infernal. O ar ardente abafava a terra e, a sede dos corpos desidratados, exigia bebida. Todo o líquido servia para tentar aplacar a secura que nos mortificava.

    À nossa volta, o céu, vermelho de fogo, empalidecia num cenário de uma cruel beleza de gradientes amarelos, dourados, vermelhos e carmins em horizontes recortados pelos embondeiros que, de braços nus, reclamam dos céus umas gotas de água que lhes mitigasse a sede.

    Caía a noite e com ela, uma estranha e silenciosa acalmia que calou todo o lugar. Como se de um mau presságio se tratasse, como se toda a vida tivesse sido imolada no fogo do dia, como se tivéssemos sido deixados ao abandono naquele buraco do inferno, a natureza emudeceu no mais pesado dos silêncios.

    Pelas oito da noite, caíram as primeiras granadas de morteiro dentro do precário acampamento de tendas de lona e barracões de chapa zincada demarcados por arame farpado. Os rebentamentos continuados, os sons sibilinos dos fragmentos de metal ziguezagueantes que procuram a carne onde se alojar, o som das armas automáticas, despertaram-nos do torpor em que caíramos.

    No centro de uma confusão indescritível, cada um procurava protecção nos abrigos improvisados, buracos escavados no solo tapados com troncos de árvores ou, debaixo do fogo que tudo varria, tentava chegar com vida aos locais predeterminados para a defesa de um possível ataque inimigo.

    Após duas horas de desumano tormento, as armas calaram-se. Olhámos desoladamente o acampamento destruído. Comunicações, víveres e combustíveis tinham sido incinerados.

    As primeiras granadas de morteiro que explodiram dentro do perímetro do acampamento da CCS – Companhia de Comandos e Serviços – do Batalhão de Caçadores 3886, que serviu em Moçambique de 1972 a 1974, provocaram, entre os jovens militares que por força legal defendiam os territórios ultramarinos, se a memória me não atraiçoa, um morto e três feridos.
    www.facebook.com/julio.daconceicao.792

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  6. Naquele fim de tarde de Domingo, a Chicoa, um local inóspito e isolado na margem do Zambeze no perímetro de segurança da barragem de Cahora Bassa, acalmava do terrível calor que impiedosamente se abatera sobre nós. Aproximava-se o fim de um dia infernal. O ar ardente abafava a terra e, a sede dos corpos desidratados, exigia bebida. Todo o líquido servia para tentar aplacar a secura que nos mortificava.

    À nossa volta, o céu, vermelho de fogo, empalidecia num cenário de uma cruel beleza de gradientes amarelos, dourados, vermelhos e carmins em horizontes recortados pelos embondeiros que, de braços nus, reclamam dos céus umas gotas de água que lhes mitigasse a sede.

    Caía a noite e com ela, uma estranha e silenciosa acalmia que calou todo o lugar. Como se de um mau presságio se tratasse, como se toda a vida tivesse sido imolada no fogo do dia, como se tivéssemos sido deixados ao abandono naquele buraco do inferno, a natureza emudeceu no mais pesado dos silêncios.

    Pelas oito da noite, caíram as primeiras granadas de morteiro dentro do precário acampamento de tendas de lona e barracões de chapa zincada demarcados por arame farpado. Os rebentamentos continuados, os sons sibilinos dos fragmentos de metal ziguezagueantes que procuram a carne onde se alojar, o som das armas automáticas, despertaram-nos do torpor em que caíramos.

    No centro de uma confusão indescritível, cada um procurava protecção nos abrigos improvisados, buracos escavados no solo tapados com troncos de árvores ou, debaixo do fogo que tudo varria, tentava chegar com vida aos locais predeterminados para a defesa de um possível ataque inimigo.

    Após duas horas de desumano tormento, as armas calaram-se. Olhámos desoladamente o acampamento destruído. Comunicações, víveres e combustíveis tinham sido incinerados.

    As primeiras granadas de morteiro que explodiram dentro do perímetro do acampamento da CCS – Companhia de Comandos e Serviços – do Batalhão de Caçadores 3886, que serviu em Moçambique de 1972 a 1974, provocaram, entre os jovens militares que por força legal defendiam os territórios ultramarinos, se a memória me não atraiçoa, um morto e três feridos.
    www.facebook.com/julio.daconceicao.792

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  7. Naquele fim de tarde de Domingo, a Chicoa, um local inóspito e isolado na margem do Zambeze no perímetro de segurança da barragem de Cahora Bassa, acalmava do terrível calor que impiedosamente se abatera sobre nós. Aproximava-se o fim de um dia infernal. O ar ardente abafava a terra e, a sede dos corpos desidratados, exigia bebida. Todo o líquido servia para tentar aplacar a secura que nos mortificava.

    À nossa volta, o céu, vermelho de fogo, empalidecia num cenário de uma cruel beleza de gradientes amarelos, dourados, vermelhos e carmins em horizontes recortados pelos embondeiros que, de braços nus, reclamam dos céus umas gotas de água que lhes mitigasse a sede.

    Caía a noite e com ela, uma estranha e silenciosa acalmia que calou todo o lugar. Como se de um mau presságio se tratasse, como se toda a vida tivesse sido imolada no fogo do dia, como se tivéssemos sido deixados ao abandono naquele buraco do inferno, a natureza emudeceu no mais pesado dos silêncios.

    Pelas oito da noite, caíram as primeiras granadas de morteiro dentro do precário acampamento de tendas de lona e barracões de chapa zincada demarcados por arame farpado. Os rebentamentos continuados, os sons sibilinos dos fragmentos de metal ziguezagueantes que procuram a carne onde se alojar, o som das armas automáticas, despertaram-nos do torpor em que caíramos.

    No centro de uma confusão indescritível, cada um procurava protecção nos abrigos improvisados, buracos escavados no solo tapados com troncos de árvores ou, debaixo do fogo que tudo varria, tentava chegar com vida aos locais predeterminados para a defesa de um possível ataque inimigo.

    Após duas horas de desumano tormento, as armas calaram-se. Olhámos desoladamente o acampamento destruído. Comunicações, víveres e combustíveis tinham sido incinerados.

    As primeiras granadas de morteiro que explodiram dentro do perímetro do acampamento da CCS – Companhia de Comandos e Serviços – do Batalhão de Caçadores 3886, que serviu em Moçambique de 1972 a 1974, provocaram, entre os jovens militares que por força legal defendiam os territórios ultramarinos, se a memória me não atraiçoa, um morto e três feridos.
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O BCaç 3843 agradece o comentário.