quinta-feira, 9 de junho de 2011

"o 10 de Junho", visto por Miguel Silva Machado (pára-quedista militar)

Portugal é como sabemos um País dado a originalidades e onde não raras vezes, somos confrontados com situações difíceis de explicar pela falta de razoabilidade. Acontece em muitos aspectos da nossa vida como País e também na área "politico-militar". Agora que se aproxima o "10 de Junho" vamos tentar explicar [...] como aqui se chegou.

No período da Guerra do Ultramar, o "10 de Junho" era uma jornada de exaltação patriótica, militares e seus familiares eram homenageados.

No período que antecedeu o 25 de Abril de 1974, a 10 de Junho, mais concretamente a partir de 1963 – dois anos depois do inicio da luta anti-subversiva em Angola –, realizava-se uma cerimónia militar, na Praça do Comércio / Terreiro do Paço, em Lisboa. Foi até 1973 o ponto alto das comemorações do Dia de Camões, de Portugal e da Raça, Feriado Nacional, e ocasião para homenagear os portugueses que combatiam em África. Esta enorme parada militar ficou na memória de muitos uma vez que ali se impunham condecorações por feitos em combate. Às unidades que se haviam distinguido, aos militares de todas as patentes quer aqueles que cumpriam o serviço militar obrigatório quer os dos quadros permanentes e aos familiares daqueles que morrendo no campo de batalha, recebiam as distinções a título póstumo.
Doloroso para uns, motivador para outros, era um dia de exaltação patriótica.
Semelhante aliás ao que a generalidade dos países fazem, não faltando exemplos do reconhecimento público àqueles que combatem pelo seu país e aos seus familiares. Para aqueles que julgam ser isso coisa do passado ou de países atrasados, recorda-se que depois do casamento do neto da Rainha de Inglaterra, em Abril de 2011, a sua mulher, foi colocar o bouquet de flores que havia usado na cerimónia, no túmulo ao Soldado Desconhecido.
Aqueles que morrem em operações ao serviço do seu país, não devem, não podem, ser confundidos com regimes ou simpatias partidárias. Aqueles que caíram no antigo Ultramar Português, bem assim como os que depois de 1991 morreram em países estrangeiros nas novas missões das Forças Armadas Portuguesas, eles e as suas Famílias, de todos, merecem público reconhecimento. Estavam lá em nome de Portugal.


Os feitos em combate na defesa do Ultramar, eram lembrados anualmente.
Cerimónia Militar do 10 de Junho em Lisboa.

Depois de Abril de 1974, a identificação do "10 de Junho" com a guerra em África levou os novos governantes (militares e civis) a cancelar a cerimónia militar, e as comemorações do "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas" (designação oficial desde 1978), foram "desmilitarizadas". Sendo o 10 de Junho a data da morte de Camões, embora este fosse apelidado de "defensor do colonialismo" por alguns, ainda assim, com a normalização política que se ia verificando, o seu nome foi mantido.
[...]

Miguel Silva Machado mmachado@operacional.pt
07 de Junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

ECCE HOMO (Partilha de história de guerra)

Caros ex-Combatentes!

Venho com muito gosto, convidar-vos a visionar uma história de guerra por mim vivida há mais de 40 anos, em Tete, Moçambique, e que ainda está à espera de conhecer um epílogo: procuro um ex-guerrilheiro da Frelimo para lhe dar um abraço e devolver-lhe algo que lhe pertence.
Se gostarem conforme espero, nesse caso peço-vos por favor que divulguem este episódio. Há um conjunto de razões com raízes fundas em mim que me levam a fazer-te este pedido.
Uma dessas razões facilmente a descortinarão através do visionamento do vídeo publicado no Youtube.

Entretanto, permitam-me ainda chamar-vos a atenção para um detalhe relevante da história. Trata-se de uma imagem do referido guerrilheiro que segue em anexo. Eu não costumava levar máquina fotográfica para as operações, mas dessa vez aconteceu. Ainda bem, digo-o agora.


A imagem (para mim) é dolorosa por destapar um dramatismo não ficcionado. Se a tivesse de legendar, escreveria: Ecce homo - Eis o homem a quem devo o rádio e um abraço.
Grato pela vossa atenção, envio-vos um abraço de camaradagem.
Jaime Froufe Andrade.
Telem. 93 93 20 807

NOTICIAS DE MOCUBA

Visita realizada a Mocuba em 21.5.2011
Para os amigos de Mocuba:
Avenida principal com bom aspecto.
Avenida da associação ao ferroviário: Reparada e alcatroada
Associação Recreativa de Mocuba: Inoperacional basicamente.
O Bar e hoje um salão de "beleza".
A piscina (apenas o bar) funciona como discoteca as sextas e sábados. Haja fundos para recuperar o edifício principal e a piscina.
Apenas os campos de jogos não serão recuperados no âmbito deste projecto específico da res-ponsabilidade do executivo camarário.
Casa do Duarte Sacras: alugada a CMC (empresa italiana a recuperar a estrada MOCUBA / NAMPEVO).
Antiga residência do Alcides / Natália: Alugada a um libanês.
Manuel Nunes: O edifício esta dividido. 1 Parte pertence ao Banco Oportunidade e outra está com uma empresa de material de escritório.
O Refeba esta fechado.
O Bar Zambézia e o Barclays Bank.
O São Cristóvão continua a ser o que era mantendo exactamente o mesmo Layout.
Preserva o balcão e as ventoinhas de tecto do tempo do Liberato.
O Bar Mira esta fechado.
A Madal e agora a PEP (vende roupa em segunda mão).
A minha oficina e agora um mini centro comercial em fase de acabamento ainda.
O antigo barbeiro na Av. principal e a futura residência do responsável do INSS.
A zona do ferroviário (clube) e dominada por um mercado de rua.
A maioria das casas da avenida principal mantém um aspecto de conservação satisfatório.
Curiosamente as piores são na minha opinião exactamente a minha (ex) e a do padre Vitorino.
Existe uma ligação nova para o Lugela. Uma nova ponte. Com portagem.
O Sacras (serração) e dominado por um intenso mercado de rua.
A pensão Cruzeiro continua a ser o ponto de encontro habitual.
A Farmácia do Sr. Correia esta envelhecida. Muito.
As ruas paralelas a Av. principal e do lado direito de quem desce a Cidade estão a ser reparadas, estando previsto o (re) alcatroamento da avenida que vai das traseiras da escola Serpa Pinto ao estabelecimento e casa do Pereira Martins.
A Enfermeira Juliana esta ainda viva.
O Enfermeiro Jamilo tem 89 anos. Envia um forte e saudoso abraço a todos os Mocubenses par-ticularmente as pessoas próximas da sua geração.
O embaixador de Mocuba e hoje o Jaime XIMINBA.
Dirige uma serração que opera nas antigas instalações da Auto Mocuba (próximo da casa do barroco).
A entrada de Mocuba o Sr. Silva (ex residente no Gurue) constrói actualmente um resort.
A antiga padaria do justo e hoje uma Guest House.
O BNU e hoje o MILLENNIUM BIM.
Na esquina da Av. principal (frente ao Cruzeiro) esta a ser construido um predio de 2 andares.
Mais abaixo e na esquina da rua das agencias Mundiais esta a ser construída uma residencial com 2 andares.
A Rua da Junta Autónoma esta reparada.
O Colégio Amor de Deus tem um aspecto bom no exterior.
No posto Agrícola existe um instituto superior agrário. Bem dimensionado.
O antigo Hotel Mocuba esta a repintado. O Roxo e a cor dominante. Será uma loja de pecas auto.
Terminei esta pequena visita com o almoço num novo restaurante em frente a Associação. Este pequeno restaurante e da ANA DAMAS que tem agora 54 anos e partilhou o Colégio Amor de Deus com muitos Mocubenses da minha geração.
Eu escolhi um franco a cafreal muito bem "alcatroado" assado. Excessivamente assado, por vontade própria.
O Ximinba, comeu um Pembe (peixe do Licungo) e mamou 2 Medias 2 M. Bem geladas.
Esta minha visita teve a duração de 3 horas apenas. A Estrada Quelimane / Mocuba esta boa.
Um abraço
(Joca Simões - naturais e ex-residentes de Mocuba)

domingo, 5 de junho de 2011

19º ENCONTRO 2011

Para os menos atentos, poder-se-ia pensar que o Encontro deste ano iria ser igual ao de anos anteriores, mas não. Tal não aconteceu e como estava previsto a participação este ano foi muito boa. Aos poucos vamos tendo a capacidade de conseguir trazer mais elementos para o ceio da família do BCaç3843. Deixo aqui estas fotos representativas do momento de confraternização, em que todos se preparavam para degostar os seus deliciosos farnéis.

 A foto de baixo indica o momento solene da Eucaristia, em que o nosso Capelão padre Gonçalves, celebrava uma missa em memória dos ausentes e presentes.
 
Na sua omilia o padre Gonçalves salientou o facto de alguns camaradas não poderem ter estado presentos por motivos de força maior. Um dos camaradas que eu esperava encontrar este ano, era o meu companheiro de quarto Artur Duro, mas infelizmente a esposa dele tinha falecido. Ao Duro desejo do fundo do coração que consiga ultrapassar esta fase menos boa da vida, de modo a que para o ano nos voltemos a encontrar. Eu sei bem quanto o Duro gostava da sua companheira.
 Aqui, um momento muito especial, em que o nosso Comandante Figueiredo, junto ao vitral a S.António, meditava e agradecia por nos ter sempre guiado pelo melhor caminho.

Depois, como não podia deixar de ser passámos à fase seguinte, a da degostação dos farnéis.
(para ver maior clicar sobre as fotos)
Nesta foto podemos ver a satisfação do Almendra, ao lado do seu bólide! Em conversa confidenciou-me que tem percorrido o País, indo a encontros, onde se juntam velhas relíquias de quatro rodas, claro.
Momento em que o nosso Comandante Figueiredo discursava, relatando mais um dos episódios da guerra. A emoção pairou por momentos sobre todos nós e houve mesmo quem se tivesse emocionado um pouco mais.
Depois foi a mensagem de despedida e o adeus, até ao próximo encontro.
Para terminar o BCaç 3843, agradece a participação de todos, na recolha dos bens alimentares, que foram entregues à Paróquia de Marrazes, através do nosso capelão, padre Gonçalves. Lá estaremos, enquanto tivermos força e ânimo para seguir em frente.
Até para o ano!