quinta-feira, 31 de março de 2011

QUARTEL DE MOCUBA

Hoje trago à lembrança de todos vós, estas imagens do quartel de Mocuba. Agradeço aos membros do grupo "Naturais e ex-residentes de Mocuba" por terem, mais uma vez partilhado estas fotos.
Como podem verificar são imagens da época pois o seu estado de conservação ainda se nota impecável.


Espero que gostem e que comentem se assim o entenderem.

sábado, 26 de março de 2011

MOCUBA NO CORAÇÃO

Recentemente aderi a um grupo de ex-residentes e amigos de Mocuba e inevitavelmente as memórias começam a surgir. Ao principio um bocado enferrujadas, pois a idade e o tempo já fizeram esquecer alguns pormenores. No entanto e como alguns de nós têm sempre aquela curiosidade em saber noticias e ver imagens das terras por onde passámos e compartilhámos momentos agradáveis, quer com camaradas quer com civis.
Por tudo isto aqui vou deixar algumas imagens que algumas pessoas ex-residentes ou naturais de Mocuba, partilharam comigo.

Na 1ª imagem, podemos ver a rua principal. Ao fundo o edificio onde estava a messe. Na 2ª imagem o edificio dos Correios.

Nesta imagem podemos ver a D. Beatriz, proprietária da "Palhota" onde muitos de nós íamos almoçar ou jantar. A D. Beatriz primava pela simpatia e pelo sorriso sempre franco.
Nestas imagens podemos ver o complexo da piscina e uma vista aérea da cidade nessa época.
Aqui uma imagem mais recente com as ruas já alcatroadas depois de um longo periodo de tempo em que as ruas mais pareciam as picadas de Chipera.

sábado, 19 de março de 2011

GUERRA DO ULTRAMAR? GUERRA COLONIAL!

Voltamos a este tema que nos é particularmente sensível: a Guerra Colonial. Não só por causa do discurso reaccionário de Aníbal Cavaco Silva, numa cerimónia de cariz conservador, organizada pela Liga dos Combatentes, comemorando os 50 anos do início da Guerra, mas sobretudo por ter recebido uma mensagem comovente de um camarada de tropa, que testemunhou um acontecimento significativo por nós vivido em 1972, em plena guerra em Chipera, Tete, Moçambique.

Transcrevo com a compreensão do autor: “ Recordo-me perfeitamente de no final de 1972 aparecer um avião com a polícia militar de luvas brancas e levar um furriel rebelde. Para evacuar feridos no mato, quase nunca havia meios aéreos (…) Ao longo de quase 40 anos fiz muitas reflexões sobre o tema da guerra colonial e aquela imagem do avião expressamente preparado para levar o camarada, nunca saiu do meu imaginário. Coloquei a mim próprio várias interrogações: para onde o teriam levado? O que lhe teria acontecido? Que mal teria feito? “

A Guerra Colonial foi um acontecimento dramático, trágico e traumatizante para mais de um milhão de jovens portugueses, obrigados a participar na repressão dos povos africanos de Angola, Guiné e Moçambique, em luta pela sua libertação e independência.

Mesmo para aqueles que ficaram na paz podre dos QG`s nas cidades, o relato dos acontecimentos com o cortejo de mortes, estropiamentos, massacres, torturas, e o conhecimento “in loco” da exploração desenfreada, maus tratos e repressão dos indígenas, não podia deixar ninguém indiferente.

Cavaco Silva ao apontar à juventude portuguesa actual, “ a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do ultramar”, coloca-se no campo dos saudosistas/ militaristas que fizeram das guerras em África um negócio de sangue, um modo de sobrevivência do regime fascista e ainda hoje sonham com o Império! …

Se na altura a obnubilação da consciência pela propaganda facciosa e patrioteira, podia explicar o conformismo e o carreirismo de alguns jovens milicianos e profissionais (mais que a adesão ideológica), a tomada de consciência com o 25 de Abril, levou a uma atitude crítica e de distanciamento, como refere C. Mourato, que volto a transcrever com a devida vénia: “ Felizmente que o 25 de Abril e os horizontes que abriu a quem quis aproveitar, deram-me respostas a estas interrogações. O jovem militar rebelde tinha, para a época, uma visão e uma cultura política mais avançada. O regime não o tinha conseguido formatar.”

Voltemos ao discurso do senhor presidente da República. Se algum comportamento pode ser relevado como sobressalto cívico, é o daqueles que se exilaram para não participarem na desdita de sufocar em sangue e morte o direito inalienável dos povos africanos à autodeterminação e independência.

No sentido de participação generosa deverá ser evocada sobretudo a coragem, o desprendimento e a determinação daqueles que sacrificaram a liberdade, a vida familiar e profissional, muitas vezes o próprio futuro, lutando por dentro do aparelho militarista para por fim ao desvario colonialista.

De forma determinante deverá ser enaltecida a coragem e o patriotismo dos jovens “capitães de Abril”, que interpretando o mais alto sentimento dignificador da Pátria vilipendiada, puseram fim, com risco e prejuízo da sua fazenda, ao regime colonialista-fascista de Salazar e Caetano.

Em última análise poderia ser valorizada a honra e coragem de dezenas de milhares de jovens africanos que morreram combatendo pela dignidade e libertação das suas terras.

Só estes jovens militares antifascistas e anti colonialistas dos anos 60 e 70 do século passado, têm direito à exemplificação histórica e a serem apontados, pela sua insubmissão e revolta, às modernas gerações que têm a responsabilidade de redimirem hoje a Pátria Portuguesa da desgraça neoliberal e capitalista em que os novos “vendilhões do templo e senhores da guerra” (continuados detentores do poder), a estão a afundar. Também com a responsabilidade do actual Presidente da República!

Em nome de todos aqueles que perseguidos, presos, torturados, despromovidos, humilhados, exilados, traumatizados, deram o melhor da sua generosidade idealista e revolucionária pelo fim da Guerra Colonial, e pela redenção da Pátria Portuguesa, exigimos a correcção da interpretação histórica reaccionária feita pelo presidente da República de Portugal.

Armando de Sousa Teixeira
(ex-cadete, ex-furriel e ex-soldado do Exército Português, com o nº 09420870, mobilizado em Moçambique, 1972/74)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Chipera-Guerra colonial

Olá amigos da guerra colonial em Moçambique:
Apresento-me:
Sou o Mourato, moro no Alentejo, em Portalegre e estive na guerra em Moçambique.
Fazia parte da C.CAC 4241/72 que esteve em CHIPERA, província de Tete desde Agosto de 1972 a Março de 1974. Depois fomos para a Gorongosa, aldeamento do Chitengo na província da Beira. Regressámos à metrópole em fins de Setembro de 1974, com 26 de meses de Ultramar em cima da pele
A razão deste e-mail tem o seguinte objectivo:
Ultimamente à medida que a febre da Internet avança, o tema da guerra colonial tem sido muito glosado havendo centenas de sites e artigos sobre o assunto. Os camaradas que por lá passaram, à medida que os cabelos vão branqueando (e caindo na maioria dos casos), são invadidos por memórias inolvidáveis das vicissitudes ali experimentadas.
A nós une-nos aquele espaço físico chamado aldeamento da CHIPERA, cercado de morros (aquele em frente era atroz - parecia que servia de tampão para não escaparmos dali) onde cada um à sua maneira entre 1968 e 1974 "estagiou" teve sonhos, foi invadido por sentimentos de desânimo, revolta, sofrimento.
Tenho alguma documentação e noticias actuais sobre a Chipera. E tenho também a história das unidades militares que estiveram em Chipera, com o nome e posto de todos os elementos que as compunham. E ainda a data e o nome da maioria das operações que cada uma fez. Tudo isto recolhido no arquivo militar do exército.
Foram sete as unidades militares que passaram por Chipera, a saber:
PRIMEIRA - Companhia de Cavalaria 2416 – Comissão entre 1968 e 1970
SEGUNDA-CCS do B.CAÇ 2875 – Comissão entre 1969 e 1971
TERCEIRA – CAÇ 2756 – Comissão entre 1970 e 1972
QUARTA – CCS do B.CAÇ 3843 – Comissão entre 1971 e 1973
QUINTA – C.CAÇ 4241 – Comissão entre 1972 e 1974
SEXTA – CCS do B.CAÇ 4810 – Comissão entre 1972 e 1974
SÉTIMA – CART 7258 – Comissão entre 1973 e 1974
Como disse tenho a história destas 7 unidades e o nome dos elementos que as compunham. À medida que vá digitalizando os documentos irei enviando para vós, assim como irei enviando algumas fotos e também alguns artigos sobre a realidade actual da Chipera.
E porque não juntarmos num dia nos célebres convívios de ex-combatentes elementos representativos das 7 unidades que por lá passaram, cada um contando a sua experiência da época.
Fiquem a "matutar" na ideia e deem feed-back. Estão autorizados a darem o meu mail aos camaradas que conheçam para eles me contactarem por mail e eu aumentar a lista.
Afinal com as novas tecnologias tanto trabalho dá enviar para 1 como para 100.
Além disso, poderemos dizer como o nosso épico do século XVI também a propósito das questões ultramarinas, agora com os novos instrumentos tecnológicos:
Mailando, espalharei por toda a parte
Se a tanto me ajudar o engenho e a arte
heheheheehheheheheheheh (grande herói de pacotilha, eu até era aramista)
Um abraço cá do Mourato alentejano
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Com os melhores cumprimentos
José Abílio Mourato
Portalegre
joseabiliomourato@gmail.com